Furacão encontra a tão sonhada tranquilidade

Desde o início do novo trabalho de comissão técnica, o Atlético ainda não havia alcançado a tão sonhada paz. Sempre entre os últimos e tendo, inclusive, ocupado a lanterna. Baptista se viu obrigado a buscar resultados imediatos sem poder, de forma satisfatória, colocar seus conceitos em campo. É óbvio que ainda não estamos em uma boa posição, é óbvio que a situação ainda é de risco. Entretanto, duas vitórias fora de casa já permitem que os atleticanos durmam mais tranquilos.


Na ausência de Lucho, suspenso, Eduardo Baptista alterou seu esqueleto tático, passando do 4-1-4-1 para uma variação entre 4-3-3 e 4-2-3-1. Deivid compôs a linha de volantes ao lado de Otávio, deixando o time mais físico/defensivo. Rossetto, a quem a atenção foi devidamente chamada nas últimas semanas por conta da fragilidade na marcação e em aspectos táticos, foi para o banco. A surpresa na escalação foi Nicolas, entrando na esquerda, fato que permitiu a escalação (finalmente!) de Sidcley no meio-campo.


Durante o primeiro tempo, a boa sintonia de Deivid e Otávio pelo meio impediu o Atlético-GO de construir jogadas pelo meio. Assim, o repertório se resumiu a jogadas lateralizadas, que forçaram, especialmente, Coutinho e Nikão. O segundo terminou o jogo se arrastando. Mas não deixou de cumprir seu papel tático. Dito isso, com exceção de um pênalti infantil cometido por Nicolas, fomos tranquilos. Por sorte, Everaldo não cobrou bem. No mais, os mandantes pouco evoluíram seu jogo pelos lados, com Andrigo e Breno Lopes.


Antes disso, porém, já havíamos sorrido em Goiás. Coutinho, que iniciou o jogo pelo lado direito, cortou para a perna esquerda e exigiu defesa de Felipe. Coincidentemente (ou não), Sidcley apareceu para complementar. Em sua segunda participação como meia, dois gols. Fica a dica, Eduardo.


Site Oficial do Atlético Paranaense
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Jogadores comemoram o gol do MEIO-CAMPISTA Sidcley


É uma pena que, realmente, a lateral ainda não tem alguém com condições de assumir a titularidade de forma efetiva. Tanto que, após a desconfiança no primeiro tempo, Nicolas foi sacado e Sid voltou para a defesa. Aliás, Baptista vem demonstrando um padrão de mudanças: sempre duas no intervalo. Dessa vez, Rossetto e Pablo. O outro que saiu foi Grafite.


Na etapa complementar, o Furacão acabou esperando mais do que deveria, o que causou um bom número de chances para os mandantes. Ainda assim, o jogo nunca ficou assustadoramente perigoso. Weverton fez intervenções pontuais, Walter ofereceu perigo em chutes de fora e Igor, melhor jogador da equipe adversária, também incomodou com sua movimentação constante. No mais, tivemos a vitória na mão em grande parte do tempo, mesmo em situação de risco.


Melhores fora de casa?


Depois de uma sequência terrível, o Furacão ganha fôlego no Brasileirão com bons resultados fora de casa. A impressão é que, na Arena da Baixada, o desespero na busca por gols deixa a equipe desorganizada, frágil e exposta. Fora, como coadjuvante, a responsabilidade diminui, e as armadilhas aparecem principalmente nos contra-ataques. Não é o ideal, obviamente. Mas, enquanto ainda não apresentamos um desempenho consistentemente agradável, é bom nos moldarmos em cima das armas que temos.


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Nikão: protagonista em 2017


Wanderson, que seguiu como titular na zaga, segue mostrando que Paulo André não deve (ou, pelo menos, não deveria) voltar tão cedo. Seu estilo de jogo é baseado na simplicidade e eficiência, e o entrosamento com Thiago Heleno é satisfatório. Na esquerda, Nicolas precisa melhorar muito para que não cobrarmos reforços. No meio, Sidcley mostra que tem talento, Coutinho vem melhorando e Nikão continua sendo a principal referência ofensiva.


As perspectivas começam a melhorar. Saímos do buraco e temos, a partir de agora, mais tranquilidade para trabalhar o time sem a pressão da tabela de classificação. Podemos dizer que Eduardo terá mais espaço e abertura para trabalhar seus conceitos, visto que o tão esperado respiro veio. Muita atenção para as próximas semanas de trabalho.