Furacão: o time das vitórias improváveis

Um ponto de virada?


Hoje, tivemos uma guerra. Um homem a menos, pressão rival e gol heroico. Primeira vitória no campeonato, fora de casa, contra um adversário poderoso. Que, é bom destacar, pouco incomodou, apesar de dominar o campo ofensivo, evidenciando o bom trabalho defensivo do Furacão. Depois desse icônico dia, podemos vislumbrar um futuro não tão sombrio.


Dentro de suas limitações, o Furacão fez um primeiro tempo funcional taticamente. O calcanhar de aquiles seguia sendo Sidcley, facilmente batido por Alex Silva, que levava perigo em todas as subidas. Ofensivamente, Rossetto fazia um jogo muito abaixo de sua capacidade (já havia ido mal contra o Santos, inclusive). Na defesa, destaque positivo especialmente no jogo aéreo, principal ponto de insistência do Galo: Thiago Heleno e Wanderson não deixaram nada passar na etapa inicial.


Mesmo sofrendo alguma pressão, o comportamento dentro da proposta era bom. O lance capital, entretanto, veio com uma dupla falha já na parte final da primeira etapa. Nikão, com contra-ataque aberto, segurou a bola por pelo menos cinco segundos e foi desarmado por Valdivia. Na sequência, Robinho partia em direção do campo de ataque e foi puxado por Lucho, que já tinha cartão. Expulsão tola e desnecessária. Mudaria o rumo do jogo?


Gazeta Press
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Grafite não fez um bom jogo. Mas, dentro de suas limitações físicas e técnicas, lutou


A verdade é que, no segundo tempo, os jogadores do Furacão, sem exceção, foram gigantes. Eduardo Baptista só errou ao manter Grafite em campo por 90 minutos, visto que o atacante já estava visivelmente esgotado e não poderia contribuir assiduamente na parte defensiva. No mais, Coutinho agregou com mais velocidade (seu ponto forte) na vaga de Yago, que vinha mal, e Deivid foi uma presença física importante na vaga de Rossetto.


O Galo, mesmo mantendo a posse e encurralando o Atlético-PR taticamente, fez muito pouco para incomodar o goleiro Santos. A arbitragem, é verdade, anulou um gol legal dos mandantes, assim como deu um impedimento patético em contra-ataque 2x1 do Furacão. Não podemos acusar “roubo” para nenhum dos dois lados. Só o de sempre: não existe profissionalização de árbitros no país.


Voltando. Thiago Heleno fez sua melhor atuação no ano, sendo absoluto por cima e por baixo. Otávio, ganhando mais importância ofensiva na presença de Deivid, também cresceu. E Nikão, principalmente, foi monstruoso dentro das condições da partida. Que temporada do camisa 11.


De certa forma, o azar de alguns dos jogos anteriores (Flamengo, Coxa e Fluminense) foi recompensado através da raça e da organização de hoje. Nosso azar passou para Felipe Santana, que deu uma “furada” de cabeça e entregou o ouro para Sidcley. Arrancada e frieza para abrir o placar já aos 45 minutos da etapa final. Enfim, ganhamos.


Ensinamentos


Ao mesmo tempo que é um dos melhores meias do elenco, Sidcley é, também, um dos piores laterais do Brasil. Sério. Já deu. Que o gol de hoje seja o “basta”. E que o Atlético busque um lateral-esquerdo. Por enquanto, quebra-galho com Nicolas ou Renan Lodi.


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Herói improvável, Sidcley dormirá sorrindo nesta quarta-feira pré-feriado


O Furacão de Baptista teve um péssimo jogo contra o Santos. No mais, apresentava melhoras, maior organização. Faltava o desempenho individual aparecer. Hoje, com exceção dos dois jogadores substituídos no intervalo, todos foram pelo menos úteis em alguns momentos. Outros, excepcionais (aqueles destacados no texto).


Fica a lição de um time que, especialmente, talvez precise abrir mão de um pouco de técnica para ser “encorpado”. Dizendo isso, peço pela entrada de Sidcley pelo lado e pela saída de Rossetto. Que é, sim, muito talentoso, mas ainda precisa evoluir no aspecto de marcação/parte tática. Com um maior acerto da equipe, ele pode entrar e encontrar seus melhores dias. Wanderson, na defesa, também merece sequência na vaga de Paulo André.


Acaso? Talvez. O jogo de hoje pode ter sido um ponto fora da curva motivado por uma terrível falha de Felipe Santana. Porém, vamos acreditar que não. Crendo que, sim, será uma virada no trabalho de Baptista.