Lucho é cada vez mais importante para o Atlético-PR

Sou do time dos que achava a “proteção” sobre Lucho González exagerada há um tempo. Olhando para o esquema 4-2-3-1, sua contribuição era inegável, principalmente na marcação pressão e na ocupação de espaços, cumprindo seu papel tático com excelência. Ainda assim, sua presença como principal armador da equipe era maléfica para o time em termos criativos.


Com a chegada de Eduardo Baptista e a recente implementação do 4-1-4-1, Lucho ganhou mais peso. Seu papel, mais do que nunca, é de ser um termômetro em termos de ligação, além da presença física fundamental. No jogo contra o Fluminense, como dito no texto sobre a partida, Lucho deveria ser o primeiro na fila dos poupados, por desgaste, idade e risco de lesões. No entanto, Eduardo aproveitou sua presença em campo até o momento em que o atleta falasse “já deu”, o que entrega a dependência e a falta de reposição. 


Gazeta Press
Gazeta Press

Eduardo Baptista não abriu mão da presença de Lucho contra o Fluminense, na última terça-feira


Olhando para o elenco, Eduardo Henrique seria o nome mais óbvio, entretanto ele ainda é uma incógnita, visto que constou pouco até o momento. Porém, a desconfiança da comissão em colocá-lo é desanimadora.


Mas por que Lucho é tão importante?


A começar pela inteligência. Muitos certamente se frustraram com Lucho por conta da expectativa. Até porque, quando chegou, a esperança era de um novo maestro. O que, na medida do tempo, foi se apagando do imaginário do torcedor. O meia, no entanto, é, sim. dotado de muita inteligência tática. 

O argentino “corre certo”, tem eficiência nos desarmes e sabe dosar a marcação entre pressão e cautela. Quando ele não está campo, perdemos o meio, desmoronando. Ele também é importante como catalisador, tendo uma taxa pequena de erro de passes para alguém da posição, entregando a bola, mesmo que através de conexões simples, em boas condições para os jogadores de maior poderio ofensivo. Além disso, também tem consciência e senso para aparecer como elemento surpresa na área adversária.


Gazeta Press
Gazeta Press

Lucho em ação pelo Brasileirão 2016. Em pouco tempo, muita evolução


A outra questão é física. Lucho tem muito vigor, sendo um jogador “pesado”. É forte no jogo aéreo e compensa a leveza e falta de consistência defensiva de Rossetto, seu parceiro de meio - jogador que, inclusive, é um ponto chave para essa discussão.


O jovem meia é extremamente talentoso no sentido de criação, visão e finalização. Porém, há muito o que desenvolver no quesito de marcação e inteligência tática. Ter Lucho ao seu lado é uma segurança, que o permitirá evoluir.


Dependência perigosa


Guilherme, Carlos Alberto, Bruno Motta, Deivid e João Pedro. Com exceção de Bruno Guimarães, que ainda não jogou, e Eduardo Henrique, incógnita, são essas as opções centrais para o papel de substituto ou concorrente de Lucho. Todos pecam em algum sentido, que os impossibilitam de prestar o mesmo papel ao time à altura do argentino. Os dois primeiros, físico e tático; o terceiro, tático; o quarto, técnico; e o último, enfim, parece se sentir mais à vontade “solto”, podendo concorrer com Rossetto ou com os pontas.


A dependência se torna perigosa pela questão física de Lucho, que dificilmente atua em alto nível por mais de 60 minutos. Hoje, temos uma peça fundamental, que vem representando, surpreendentemente, muita entrega e contribuição. Sem ele, o jeito é encontrar outra formação, que privilegie outra forma de jogo. Temos um "problema" para Eduardo Babtista resolver. 


Gazeta Press
Gazeta Press

Lucho comemorando gol contra a Universidad Católica, pela Libertadores