Atlético-PR: futebol recente não reflete a tabela de classificação

Mais um jogo sem vitórias. Entretanto, a sensação de que, sim, temos boas perspectivas persiste. E hoje, mesmo sob condições complicadíssimas, especialmente na segunda metade da etapa final, nos mantemos relativamente tranquilos para conquistarmos um empate, em território hostil e diante de uma forte equipe. Que a posição na tabela não atrapalhe o progresso em termos de evolução no futebol.


Com uma pesada sequência de partidas, Baptista resolveu mexer para poupar. Thiago Heleno por Wanderson, Rossetto por Eduardo Henrique, Grafite por Eduardo da Silva. O que entregou: não temos no elenco alguém para desempenhar a função de Lucho em sua ausência. Na fila dos que deveriam ser poupados, ele era o primeiro. E, mesmo assim, ficou na partida até os 20 minutos da etapa final.


Em campo, um time que manteve seu padrão de posse objetiva, que envolveu rapidamente o Fluminense. Tanto que, aos 9 minutos, já gritávamos gol: passe cirúrgico de Lucho para Jonathan, que cruzou na medida para Pablo. Tudo bem construído.


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Pablo comemora o gol atleticano


O erro, a partir daí, talvez tenha sido aceitar a pressão adversária. O único momento em que tivemos vantagem sob o comando de Baptista foi durante o jogo contra o Santa Cruz. Lá, foi mais tranquilo manter o controle do meio-campo e cansar/entender o adversário. Aqui, frente a um time mais qualificado, que aumentou seu ritmo para forçar bons momentos ofensivos, a realidade foi diferente.


O Fluminense passou a atacar de forma desordenada, dependendo muito de seu principal articulador, Scarpa, para conseguir algo. E estar despreparado para “defender” nessas condições é mais emocional do que técnico ou tático. O que comprova um novo gol de cabeça sofrido. Dessa vez, Reginaldo foi o agraciado, vencendo Eduardo Henrique dentro da área. A etapa inicial teve um grande número de chances dos mandantes, que mereceram o gol. 


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O fantasma da bola aérea...


No segundo tempo, o Atlético, mais leve ofensivamente, com Rossetto e Coutinho, passou a incomodar novamente, principalmente no sentido de movimentação intensa e manutenção de posse - exatamente o que o Fluminense não conseguia fazer. O Atlético assustou em duas recuperações no campo de ataque, enquanto o adversário teve dificuldades para sair do jogo lateral. Voltamos bem.


O curso do jogo mudou, porém, com um lance capital. Renato, em uma irresponsabilidade, tentou uma bicicleta no meio da área e atingiu Wanderson. O choque foi pesado, causou sangramento no jogador atleticano e o deixou desacordado. Ambulância em campo e zagueiro do Furacão retirado, já reagindo e de olhos abertos. Menos mal.


Seria de bom senso do árbitro, mesmo que não tenha havido maldade (apenas 'burrice' mesmo), expulsasse o atleta do Fluminense para não prejudicar o Atlético, que já tinha feito suas três mudanças e ficaria com um a menos por mais vinte minutos. Afinal de contas, Renato, em um lance violento, tirou um jogador nosso de campo. Enfim: apenas amarelo e um Abel Braga que aproveitou a situação para encher o time de atacantes. Moralmente duvidoso.


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O lance capital: por sorte, tudo bem com Wanderson


Por sorte, o rival não teve repertório ofensivo para sair da mesmice e oferecer perigo. A melhor chance, aliás, foi nossa. Em contra-ataque 2x1, Coutinho passou do ponto no passe para Nikão, que ainda se virou bem, mas chutou por cima. Nas condições do momento, ótimo resultado. E infelizmente, hoje, temos que nos contentar com isso.


Boas perspectivas


O maior medo com relação a sequência de resultados 'negativos' aliados a uma péssima posição na tabela é a reação do grupo. É importante não se desesperar, pois, em termos de futebol, só crescemos. E hoje, assim como na derrota para o Coritiba e no empate com o Flamengo, a sensação é que nossa sorte poderia ter sido melhor.


O fantasma segue sendo a bola aérea defensiva, que mais uma vez nos frustrou. Avaliando individualmente, Eduardo Henrique, um virtual substituto para Rossetto e Lucho, não constou durante os 45 minutos que esteve em campo, por isso segue sendo incógnita. Pablo, apesar do gol, ainda está muito mal, e Nikão, jogando os 90 minutos, é o principal ponto de habilidade da equipe. Adendo negativo para Eduardo da Silva, que vem apresentando um futebol que não coincide com sua excelente parte técnica. Desinteresse?


Repetindo: sem desespero. Evitem olhar a tabela. Saiam para passear, assistam a outros jogos, vejam bons filmes. A atual posição é fruto de um processo de desenvolvimento e também, inegavelmente, um pouco de injustiça. Temos um técnico talentoso e estamos melhorando. As perspectivas, sim, são muito boas.