Eduardo Baptista demonstra coragem e Furacão avança na Copa do Brasil

Em pouco tempo de trabalho, Eduardo Baptista demonstrou coragem. Principalmente por implementar um esquema jamais usado por Autuori e Pivetti na gestão anterior de forma tão imediatista, identificando que o 4-1-4-1 seria mais adequado para o estilo de jogo e as peças que tinha a disposição. Só nessa questão já ganha um ponto importante. Tem personalidade, não teve medo de errar e, a princípio, vê seus planos darem certo.


Com exceção de Paulo André e Jonathan (poupados), a equipe que enfrentou o Santa Cruz foi a mesma de domingo. Visando manter o padrão, especialmente no meio-campo, testando e apostando na configuração com Otávio, Nikão, Lucho, Rossetto e Pablo, Baptista viu um cenário bem diferente da partida contra o Flamengo.


Naquele dia, pressionamos, mantivemos um ritmo pesado no primeiro tempo e levamos um gol no acaso. Aqui, no primeiro ensaio de pressão, Nikão foi para as redes, após jogada bem construída por Pablo e Sidcley pela esquerda. Tento que foi interessante, é claro, pelo resultado de classificação, mas também para avaliarmos a atitude do time com vantagem no placar sob novo comando.


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Nikão deu tranquilidade ao Atlético, abrindo o placar logo no início do jogo


E vimos um Atlético sem interesse aparente em “amassar” o Santa Cruz. Inclusive, os mais críticos podem dizer que o jogo, até os 30 minutos da etapa inicial, foi tedioso. E talvez tenha sido um pouquinho. Entretanto, no geral, vimos um Furacão com controle total das ações, forçando erros com marcação bem estruturada e trabalhando pelo meio principalmente com Rossetto.


O ritmo voltou a ser acelerado no fim, quando o Atlético compreendeu as fraquezas adversárias para buscar um novo gol, que deixaria a situação mais tranquila. Grafite exigiu Julio César, Rossetto levou perigo em chute de fora e Nikão teve gol “tirado” por Anderson Salles em cima da linha. Por pouco.


De maneira surpreendente, o Atlético teve um péssimo começo de etapa complementar. Talvez pelo desespero de matar a partida e não correr riscos. Sorte que foi um período curto. Pitbull, com muito espaço no contragolpe, recebeu pelo lado esquerdo e teve tudo para marcar, mas finalizou mal. André Luiz, também em contra-ataque e após falha de Pablo, teve um corredor imenso para avançar e vencer Weverton. Sorte que a trave era nossa. Como resposta, Grafite teve boa chance em cabeçada, exigindo grande defesa de Julio César.


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Com exceção de 10 minutos atípicos, Atlético manteve o controle e teve inúmeras chances


Passado o susto e retomando a organização, o Atlético voltou a ter dominância no campo ofensivo, controlando a posse e criando. Rossetto e Coutinho tentaram e ficaram no quase. Já Lucho, após jogada atrapalhada de Coutinho, ficou na boa para fazer o segundo gol. No restante do jogo, o piloto automático, de certa forma, foi ligado, e era compreensível. Com exceção de Eduardo da Silva, que teve uma chance, nada que mereça linhas de texto. Classificação com pequenos sustos, mas, no geral, bem encaminhada.


Compreendendo o novo professor


Lucho pode não ter muitos fãs, e me incluo na lista dos que têm ressalvas. Entretanto, no novo esquema, seu papel de termômetro será ainda mais decisivo. Isso porque, agora, a tendência é que Rossetto tenha cada vez mais campo para atacar e desenvolver seu lado ofensivo. Leve, habilidoso, porém inseguro na marcação. É um elemento para marcação pressão, chutes e assistências. Lucho, nessa história, é o físico, que irá recompor e permitir a fluência de jogo. Além de aparecer como elemento surpresa, às vezes, é claro.


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No novo esquema, Lucho se tornará ainda mais importante taticamente


Pablo, que não vive bom momento, pode ser incluído nesse sentido. Ofensivamente, jogar como extremo pelo lado esquerdo não é tão interessante observando suas características, porém sua contribuição é muito efetiva tanto na lateral quanto pelo centro, vencendo boa parte dos embates corpo a corpo e pelo alto. Não dá pra descartar. Do outro lado, Nikão, em um de seus melhores momentos, é o talento. Grande destaque ofensivo no começo de ano.


Entre as novidades, Cascardo ainda não é nenhuma garantia, mas segue apresentando um jogo que flui bem. É importante citar também Otávio, fazendo agora a função de “1”, entrelinhas, o que sempre tivemos vontade de ver. Mais livre para transitar com e sem bola, seu futebol tende a ficar ainda mais evidente, e as roubadas de bola, que o tornaram destaque em 2015, podem voltar.


As próximas semanas serão riquíssimas para observarmos de forma mais evidente o trabalho de Eduardo, que a princípio agrada bastante. Se fomos injustiçados no domingo, com bom futebol e um empate amargo, hoje saímos mais feliz. Sem empolgar, mas mais animados que outrora.