Atlético-PR: virtudes na estreia de Baptista e injustiça no resultado

Resultado amargo em uma boa estreia para Eduardo Baptista. Criamos, finalizamos, merecemos. Mas não aconteceu. O empate “salvou” a tarde de domingo, de certa forma, e deu tranquilidade para o início de trabalho do novo comandante, livrando-o de uma pressão inicial. Sem desespero: sairemos dessa situação.


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Eduardo Baptista estreou com empate pelo Furacão


Durante o primeiro tempo, o único erro visível do Atlético surgiu exatamente no lance do gol do Flamengo. No restante da etapa, Weverton nem sujou o uniforme. Foi clara a tentativa de Eduardo Baptista em mudar o esqueleto tático do time. O 4-1-4-1, que vinha utilizando no Palmeiras, foi adotado e melhorou a equipe em basicamente todos os aspectos.


Pudemos observar uma marcação pressão bem eficiente, que obrigou os visitantes a se livrarem da bola em algumas oportunidades. Quando tentou sair com ela pelo chão, o Fla teve problemas, em especial em um lance com Márcio Araújo que terminou nos pés de Grafite. Muralha salvou.


É verdade que, quando passava com a redonda dominada do meio-campo, o Flamengo tinha bastante espaço para explorar. Ainda assim, não podemos exigir um esquema executado da maneira perfeita com menos de uma semana de trabalho. No balanço, vimos bons resultados.


Ofensivamente, destaque para o meio-campo e as inversões de posicionamento, com todos explorando diferentes funções. Rossetto e Lucho, pelo meio, eram os mais ativos, com ênfase para o primeiro que, nesse esquema, flutua e tem muita facilidade em envolver a marcação adversária.


A movimentação constante e inteligente do meio foi o que, inclusive, permitiu uma melhora de Grafite. Com espaço entre as linhas do adversário, o atacante fez tudo certo, e a impressão passada foi de puro azar, especialmente no lance em que ele carimbou a trave. Ainda criamos com Nikão e Pablo, mas nada do gol.


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Grafite teve sua melhor atuação, mas ficou no quase


Porém, incrivelmente e como já citado, saímos com desvantagem na etapa inicial. E naquele estilo que já conhecemos. Espaço enorme dado por Sidcley no cruzamento e Thiago Heleno e Paulo André sem a menor sintonia, com o primeiro marcando a bola e dando espaço em suas costas. E resultado disso foi um belo cruzamento de Pará para o gol de Mancuello.


No segundo tempo, ficou clara a sensação de desgaste por conta do forte ritmo da primeira etapa, que teve blitz ofensiva, marcação pressão e muita movimentação. Entretanto, por sorte, o cenário se inverteu: em um momento que o Flamengo era melhor, fizemos o gol.


Rossetto na cobrança de escanteio e Thiago Heleno sobrando pra cima de Rafael Vaz. Gol na “especialidade” rubro-negra, especialmente durante o ano de 2016. Que volte a ser assim, esperamos.


O jogo passou a ser de muito combate no meio-campo. Baptista mostrou ambição ao sacar Lucho e trazer Guilherme, que tem características muito mais ofensivas, para o campo. Ainda assim, sua participação se resumiu basicamente a lançamentos longos. Coutinho, que veio na vaga de Nikão já no intervalo, deu suas derrapadas, mas no geral foi operante. E teve a melhor chance do Furacão, infiltrando pelo meio após boa bola de Sidcley. Muralha pegou.


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Thiago Heleno marcou em sua especialidade


Outra novidade foi Ederson, voltando após muito tempo e entrando no lugar de Grafite. Nada a ser registrado, mas bom vê-lo por aqui. No mais, um Flamengo que ganhou mais ritmo com a entrada de Vinicius Jr. e que teve uma boa chance com Guerrero, que acabou falhando na finalização. Empate com gosto amargo. Porém, mais destaques positivos do que negativos.


Injustiça?


O ritmo e a criação do Atlético no primeiro tempo deixaram a clara sensação de que a vantagem poderia ter sido construída. Grafite talvez necessite de um ritual: hoje, fez sua melhor partida, criando, se movimentando bem e finalizando. Ficou no quase.


Como dito, houve a tentativa, desde já, da implementação de um novo esquema, o que é ótimo, principalmente olhando para traz e vendo um Atlético engessado com Paulo Autuori. Baptista, no geral, foi muito bem, e seus conceitos devem evoluir daqui pra frente.


Em termos de atuação, destaque para, além de Grafite, Rossetto, que se sente muito mais livre na atual configuração tática, contribuindo em todos os setores. Será craque, anotem. De negativo, a dupla de zaga que mais uma vez bate cabeça e compromete o resultado. Esperamos que isso seja trabalhado. Há muito o que se esperar de Eduardo Baptista.