Furacão: vitória épica e chance para recomeçar

De vexames até o heroísmo. Bem, tem coisas que só acontecem por aqui. Ainda bem. Protagonista dos jogos mais malucos do Brasil em 2017, o Furacão não decepcionou nesse sentido. Dentro do grupo que redefiniu o significado de “da morte”, sobrevivemos, mesmo em um péssimo momento para o clube, com raça, comprometimento e entrega. Foi lindo


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Jogadores comemoram: 3 a 2 e classificação emocionante


O Atlético teve uma postura apenas “correta” durante o primeiro tempo, principalmente do ponto de vista de quem precisava buscar o resultado. Mesmo que houvesse um bom giro na posse de bola, ela acabou sendo estéril na maior parte do tempo. Com exceção da dupla Sidcley e Pablo, que faziam uma boa dobradinha pelo lado esquerdo, zero de produção ofensiva. No melhor momento, jogada da dupla e passe para Nikão, que exigiu intervenção de Toselli.


Mesmo com uma partida boa ofensivamente, com certo controle das ações, não nos permitimos, em nenhum momento, ter tranquilidade. Isso porque a organização defensiva seguia caótica. Marcação por setor, porém com muita distância para os adversários. Assim como contra o Bahia, espaço para os meias adversários transitarem em momento de posse. E assim, o gol. Santiago Silva, entre volantes e zagueiros, finalizou com liberdade, abrindo o placar da partida. O primeiro tempo acabava e éramos eliminados como lanternas do grupo.


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Em seu retorno ao time titular, Pablo fez bom jogo


O segundo tempo teve um divisor de águas: Carlos Alberto. Aliás, não só ele. E, aqui, um agradecimento a Paulo Autuori: todos os jogadores que saíram do banco ajudaram a construir um pouquinho da história no dia 17 de maio de 2017.


O Furacão veio para o segundo tempo mais intenso na marcação. Desordenado, mas ao menos mostrando descontentamento com a situação, ao contrário do que aconteceu nos vexames recentes. Exemplo: em um lance que Noir caiu pela esquerda, três jogadores o pressionaram para recuperar a bola, desesperados, e abriram uma cratera no meio. Na finalização, Weverton venceu Buonanotte. Antes disso, Fuenzalida já havia carimbado o travessão. Sorte. Ela esteve conosco hoje.


Em sua primeira ação mais contundente, Carlos Alberto mostrou o porquê de tantas vezes lamentarmos seu histórico clínico tão complicado. O cara é craque. Em lance pela esquerda, entortou a marcação e encontrou Eduardo da Silva na área. Cabeçada precisa e empate no placar. O momento era complicado, com muita posse e pouco resultado. Faltava drible, faltava uma jogada, e ela veio com o camisa #19.


Na Argentina, as notícias não eram boas com o empate do San Lorenzo contra o Flamengo, e a essa altura só a vitória interessava. E aí veio ele, aquele que ninguém JAMAIS criticou. Coutinho usou seu melhor: a velocidade. No desespero da Católica, o ponta, que havia acabado de entrar no lugar de Pablo, encontrou um buraco no meio da defesa e arrancou enlouquecidamente até chegar na frente do goleiro, tocando com tranquilidade para virar o jogo.


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Pela ponta direita, Nikão voltou a demonstrar muita vontade e participação


Alegria que durou pouco, de novo (dois minutos, para ser exato). Com espaço pelo meio, Noir recebeu e fez um golaço. Sorte que temos Carlos Alberto. Em boa subida de Jonathan, bola pro meio e finalização espetacular do grande destaque da noite. Gol que definiria a classificação em um dos melhores jogos de futebol de 2017.


Legado


Que o jogo não gere um oba-oba e nem sirva de pretexto para esquecer os problemas recentes. Pelo contrário. Não imaginávamos que após um dos piores períodos de nossa história sairíamos classificados na Libertadores, com a oportunidade de reconhecer os erros e recomeçar. Sim, é necessário um recomeço.


Nosso estilo de jogo é perigoso e o futebol recente não é bom. Hoje, o gol de Eduardo da Silva veio através do puro talento de Carlos Alberto. Os outros dois, de espaços deixados pela Católica, que partiu desesperada em busca da vitória, que era só o que lhe servia. Dessa forma, é necessário ter lucidez. Que Autuori não se coloque em um pedestal, mais uma vez. Há trabalho, há três torneios e ainda não estamos preparados para lutar efetivamente por nenhum deles.

Falando em atuações, destaque para as laterais (sim!). Pablo entrou bem pela esquerda, ajudando Sidcley em sua dificuldade defensiva. Assim, o lateral, muito talentoso no ataque, se sentiu seguro. Lucho teve mais uma atuação ruim e deve ser o escolhido para deixar o time para as eventuais entradas de Guilherme/Carlos Alberto. Surpreendentemente, os volantes não foram efetivos no campo ofensivo e deixaram espaços cruciais para os gols da Católica. Atenção.


Hoje vamos dormir tranquilos, felizes e classificados, em uma das melhores noites para o torcedor atleticano em muito tempo. Amanhã, já temos que trabalhar. Esperança de que, dessa vez, a humildade seja adotada. Que venham as oitavas.