Atlético-PR: derrota 'óbvia' no Maracanã

Nem o mais corneteiro dos torcedores "cobraria" uma vitória no Maracanã. Era otimismo demais pensar em vencer com autoridade contra o Flamengo não tendo algumas das principais peças do elenco à disposição. Porém, para fazer jogo duro ou tentar pelo menos arrancar um empate, era necessário se reiventar dentro das poucas opções que tínhamos.


O que não aconteceu. A escalação de Paulo Autuori prezou pelo padrão. O que não é uma crítica tão incisiva, pois é compreensível que um treinador mantenha seu "formato". Especialmente em uma partida decisiva, visando diminuir o risco de sofrer gols. 


Da mesma forma, é evidente o conformismo. Era óbvio que, com as opções limitadas para montar a escalação, era preciso uma mudança mais significativa na estrutura tática para surpreender os mandantes. Ao entrar com o mesmo esquema de sempre, ainda que não tivesse as peças certas para compô-lo, Autuori acaba sendo previsível. E o resultado negativo se torna mais previsível ainda. 


Sem ter que se preocupar muito com ameaças ofensivas do Atlético, o Flamengo começou a partida de forma fulminante, indo para as redes duas vezes. Primeiro, com Guerrero, em falha dupla (fato raro) de Thiago Heleno. Depois, Arão apareceu pela direita e achou um livre Diego, que finalizou com categoria. Houve chance para mais, com o próprio Diego, que finalizou na trave aos 26 e deixou Guerrero cara a cara com Weverton aos 34. 


Getty Images
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Primeiro gol do Flamengo, marcado por Guerrero


O Flamengo de Zé Ricardo foi montado em prol de Diego, com dois pontas colaborativos que permitem ao camisa 10 uma maior liberdade para a criação. E, mesmo sabendo disso, o Furacão manteve um padrão de marcação, não redobrando a atenção sobre o jogador mais perigoso do rival. Não se pode montar um time pensando em todos os jogos, mas sim montar um time de acordo com cada jogo.


Com a medida do tempo, o Atlético passou a ter posse de bola e ganhar território ofensivo, mas sem assustar os donos da casa. O destaque era Nikão. Com mais responsabilidade ofensiva, tendo que se assumir como o jogador mais perigoso do time, acabou sendo quem mais se arriscou e deu trabalho.


No segundo tempo, o Flamengo relaxou dentro de sua estrutura e Nikão, após jogada de Jonathan Lucho e Coutinho, marcou o gol do Atlético. Jonathan que, aliás, mais uma vez esteve impecável. Parece que ele voltou definitivamente ao seu auge. 


Antes mesmo do gol, o conformismo de Autuori tinha ficado ainda mais evidente com uma troca simples entre Eduardo e Grafite, não arriscando colocar os dois simultaneamente ou alterar sua estrutura com uma injeção ofensiva, que era o adequado. 


Durante a maior parte do restante da partida, o Atlético jogou bolas na área, se limitando a um repertório limitado enquanto teve domínio. As chances apareceram com Luiz Otávio e Nikão, que chegou a marcar o gol de empate, sendo corretamente anulado pelo bandeira. 


O tom aqui não é de lamento. É de oportunidade desperdiçada. De usar um jogo em que teríamos, naturalmente, pouca chance, para arriscar mais e tentar surpreender. Aqui, tivemos uma derrota que não nos ensinou muita coisa.


Luiz Otávio deve ser melhor trabalhado como substituto direto de Otávio. Deivid está muito longe de seu auge e destoa de todos no que diz respeito à contribuição ofensiva, além de não marcar tão bem quanto antes. Rossetto está em constante evolução, provando mais uma vez, melhorando no aspecto defensivo e tático, e Nikão, quando quer jogar futebol, apresenta altíssimo nível. 


Mas sem desânimo. A classificação para as oitavas de final ainda é uma realidade próxima, basta fazer o dever de casa nas próximas partidas. Algo que quase sempre conseguimos.