Atlético-PR: o problema não é o estadual, e sim o desempenho

Até dado momento da partida contra o Paraná Clube, era certo que o Atlético-PR seria eliminado logo na primeira fase do Campeonato Estadual, que classifica oito de doze times possíveis. Aconteceu, entretanto, que, mesmo com a derrota, uma combinação de resultados nos deixou com a oitava colocação, confirmando a passagem para a próxima etapa do Paranaense, quando enfrentará o próprio Paraná Clube.


Enquanto estávamos sendo eliminados, é certo que muitos torcedores pensaram nos prós e contras dessa saída prematura. E havia pouquíssimo a se pensar. Olhando para o lado positivo, calendário vazio. Para o lado negativo, a falta de oportunidade para testar elenco e fazer rodagem. Pensar na relevância do torneio já está fora de rota, principalmente por conta de todos os acontecimentos de 2017.


Dito tudo isso, e é claro que o Atlético ainda pode dar uma volta por cima e conquistar o Estadual, não podemos olhar para o torneio com olhar saudosista. Se há uma preocupação em toda essa situação, é com a forma como o Furacão se comportou em campo, mesmo com a equipe principal. É pra se pensar.


A falta de imaginação da dupla Autuori e Pivetti é o legado negativo da primeira fase do Paranaense. Por não termos compromisso com a competição, era o momento ideal para dar ritmo a jovens, testar alternativas táticas e se lançar um pouco mais para cima dos adversários. Ao contrário, tivemos jogadores desgastados que tiveram muito tempo em campo, tirando espaço de quem realmente tem algo a oferecer, e taticamente não saímos da mesmice. O 4-2-3-1 rubro-negro é carregado de “clichês”, sem nenhuma novidade e dependendo sempre de talento individual ou fragilidade do rival.


Site Oficial do Atlético Paranaense
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Jonathan subindo pelo lado direito. Furacão foi com os titulares e saiu sem a vitória


Se na Libertadores vem dando certo, especialmente contra o San Lorenzo, é pelo fato de que o adversário tem repertório. Dessa forma, fica mais fácil moldar uma estrutura de jogo, visto que você pode atuar dentro do ritmo do adversário, pregando, eventualmente, peças possam o pegar desprevenidos. Mas e quando nós temos que impor o ritmo e assumir o controle?


Aí está o problema. Aconteceu pouco durante 2016 e o desenvolvimento foi frágil até aqui, quase inexistente. Chegamos até a Libertadores por conta da solidez defensiva, essa, sim, inquestionável. Entretanto, para alcançar objetivos maiores, é necessário evoluir. E a clara sensação é de acomodamento dentro de uma única estrutura. Que pode funcionar, e de fato vem funcionando em vários ocasiões. Mas que é, claramente, frustrante, e entrega uma acomodação.


Hoje, um grupo com muito potencial esteve em campo mais uma vez. Aqueles considerados titulares, ou, pelo menos, a maior parte deles. E vimos o Paraná Clube, dentro de suas limitações, ditar o ritmo e apresentar muita segurança defensiva. Sem resposta, perdemos, sem criar ou apresentar repertório.


Não há a menor preocupação com relação a questão de sair ou não do Paranaense. Há preocupação com a evolução. Temos totais condições de chegar longe. Porém, parecemos não querer.