Furacão: David Luis salvou os garotos da derrota

O trabalho de Paulo Autuori dialoga diretamente com o de Bruno Pivetti. O que é bom, principalmente por conta de que, quando um jogador deixa a equipe alternativa e começa a ter maiores oportunidades com o time principal, ele já está taticamente preparado/moldado. Mas também é ruim. Se o estilo de Autuori é conservador e com dificuldades para propor o jogo, o de Pivetti também será.


E, no caso da equipe principal, é até positivo, na maioria das vezes, que tenhamos um perfil de jogo mais equilibrado, sem a necessidade de atacar na maior parte do tempo. Pois, dessa forma, ao encararmos adversários equivalentes ou superiores tecnicamente, não passaremos sufoco e jogaremos com controle da situação. 


Mas, no estadual, isso não é bom. E, com exceção das partidas contra Cascavel e Coritiba (curiosamente, no caso do segundo), sofremos com a questão de propor o jogo e de ter atitude para assumir as ações. E, mesmo com um time tecnicamente interessante, seguimos andando para trás. 


Contra o Cianorte, o Atlético passou o primeiro tempo praticamente todo sem atacar. Era clara a dependência de Rossetto, que se tornou mais ativo no time principal, para liderar as ações no meio-campo, mantendo controle organizacional. Essa função passou a ser de Renan Paulino, que é um jogador de mais infiltração. Sendo assim, a diferença foi clara. 


A equipe do interior do estado, bem posicionada no Paranaense, terminou a etapa inicial sem assustar muito, mas animou seu torcedor ao demonstrar, em dado momento, maior presença no campo de ataque em comparação com seu rival, mesmo jogando fora de casa. Já o Atlético, vivia em um marasmo. 


Além disso, é importante citar a incoerência quanto a não escalação de Matheus Anjos. Destaque ofensivo da equipe no torneio, o jogador perdeu espaço para Crysan e Douglas Coutinho. Tecnicamente falando, já seria uma ofensa. Porém, a incoerência vai ainda mais longe, visto que Crysan e Coutinho estão inscritos na Libertadores, tendo que, em teoria, ser poupados. Já Matheus Anjos tem apenas o Paranaense para jogar. 


Site oficial CAP
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Coutinho teve mais uma atuação pouco inspirada


No segundo tempo, o Cianorte aproveitou um vacilo defensivo na retomada de bola e encontrou um buraco na defesa do Atlético. Rafael Xavier se infiltrou e finalizou na saída de Santos. Um lance que, acreditem, foi bom para o Furacão. Visto que o Cianorte, até então presente no ataque, recuou, e permitiu ao Atlético ter vida mais fácil. 


Matheus Anjos e Yago vieram a campo para as vagas de João Pedro e Coutinho, e deram mais qualidade na frente. Mas, ainda qu tivesse mais campo, o Furacão pouco produzia. E contou com David Luis. Que não é aquele que só queria dar alegria ao seu povo. Entretanto, deu um bocado. Para os atleticanos.


Após jogada de Luís Henrique, o lateral-esquerdo do Cianorte deu uma pixotada clássica, colocando a bola no ângulo. Minutos depois, o "quase sósia" do herói nacional novamente apareceu, cometendo pênalti em Cleberson. Pena que Matheus Anjos, que bateu muito mal, não fechou o dia do Furacão com uma vitória na Arena. 


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Crysan teve participação interessante no segundo tempo


Em resumo, tivemos uma atuação defensiva equilibrada, mais uma vez, com apenas uma falha que acabou comprometendo. E, no ataque, uma produção modesta, que não foi de todo o mal por conta de uma ajudinha adversária. Resultado normal, e não tão trágico, olhando para o contexto de que "é só estadual". Mas que preocupa. Pela repetitividade. Para a dupla Autuori e Pivetti: tenham mais coragem.