San Lorenzo esbarrou na 'muralha' do Furacão

Esse não é um texto apenas sobre a atuação do goleiro Weverton. O arqueiro, é lógico, teve mais uma grande participação. Entretanto, o que nos trouxe até a Libertadores foi uma defesa praticamente impenetrável. E na noite de quarta, a defesa voltou a ser protagonista. Em perfeita sintonia na parte de trás, o Furacão barrou o San Lorenzo, voltou a ficar vivo no grupo e nos apresentou o que tivemos de melhor em 2016. Weverton, Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno, Sidcley e, não menos importante, Otávio. Vocês estão de parabéns. 


A postura inicial do Furacão foi muito positiva. A equipe tomou a frente das situações e assumiu uma postura que não indicava comodismo com um empate. Fomos premiados com um gol que saiu bastante cedo, o que nos ajudou a definir uma estratégia para sair com a vitória da Argentina. 


Gol que saiu dos pés do questionado Sidcley, que teve, no geral, uma atuação muito acima de sua média, em todos os aspectos. Seu talento ofensivo é evidente e hoje, combinando drible com um cruzamento preciso, deu uma bela assistência para Lucho aos 3 minutos da primeira etapa. 


O argentino, aliás, merece parênteses. Melhorando significativamente, e queimando a língua deste que o cornetou no texto sobre Matheus Rossetto, Lucho vem se aproximando de uma forma física ideal. Atuou durante 90 minutos, mantendo consideravelmente o "pique" durante a segunda etapa. 


Seu jogo sempre esteve diretamente ligado à lucidez, à boa distribuição, mas que geralmente não levavam a muita coisa. Faltava participação ofensiva, movimentos incisivos, que aos poucos estão sendo encontrados. Três gols na Libertadores, demonstrando evolução e, acima disso, comprometimento para driblar as críticas. 


Site Oficial do Atlético Paranaense
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Lucho voltou a marcar pela Libertadores


Voltando. Após o gol, houve um momento, em que o San Lorenzo assumiu controle ofensivo, posicionando suas peças de maneira que empurrassem o Atlético. Entretanto, durou pouco. No intervalo dos 10 aos 25 minutos, a equipe da casa criou algumas situações, que exigiram duas defesas de Weverton. Porém, é importante destacar que, a essa altura, não passavam de jogadas ocasionais, não trabalhadas. Cerutti, pelo lado direito, era quem mais incomodava. 


Após esse momento, o Atlético, aos poucos, voltou a ter posse e se posicionar de maneira mais equilibrada, impedindo uma nova pressão. E, numa jogada muito bem orquestrada, quase aumentou o placar. Faltou a Nikão, após belo passe de Jonathan, ter maior tranquilidade para definir. 


Até o fim da etapa inicial, o jogo deixou de ser de "um dos lados", tendo muito embate no meio-campo e pouca criatividade, assim como o Atlético queria. Sem se retrancar, o Furacão levou o primeiro tempo com tranquilidade, sabendo controlar o ritmo das ações e com um gol de vantagem.


No segundo tempo, entretanto, o "vício". O Atlético deixou de diminuir os espaços do San Lorenzo no meio-campo e, novamente, chamou os mandantes. No entanto, assim como ocorreu no jogo contra o Capiatá, no Paraguai, o adversário não tinham lá um repertório muito vasto. Mais sorte do que juízo, viu, Autuori?


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Segundo tempo foi 'sofrido'


O San Lorenzo passou a abusar de "chuveirinhos" que, a certa altura, passaram a dar resultado. Na primeira, Ortigoza, grande articulador do time, aproveitou rebote após cruzamento interceptado de Cerutti para finalizar. Grande defesa de Weverton. 


Pouco tempo depois, Cerutti, novamente, dominou pela direita e foi "derrubado" por Sidcley. Pênalti pessimamente marcado, e que ajudaria a confirmar a má fama do lateral-esquerdo atleticano. Sorte que, na cobrança, Blandi fez pior que o próprio juíz, cobrando rasteiro e longe do gol. 


No minuto seguinte, Weverton teve que trabalhar após cabeceio do próprio Blandi, fazendo a defesa mais importante da partida. Porém, mesmo forçando uma pressão, o San Lorenzo só alçava bolas, e voltou a fazer Weverton trabalhar apenas em uma jogada em que já havia impedimento. Aos 45, Lucho teve a chance de matar a partida, mas perdeu cara a cara com Torrico. Foi a primeira oportunidade do Atlético desde um lance com Rossetto, no começo da etapa inicial.


Sorte que, apesar de, mais uma vez, contarmos com uma postura arriscada, saímos com um resultado crucial. Que, além de nos manter vivos no grupo, nos faz assumir a liderança. Os próximos confrontos, contra o Flamengo, serão de vital importância para o futuro na competição. 


O legado


Weverton provou ser um dos melhores goleiros em atividade no país, mostrando total segurança quando exigido. Paulo André e Thiago Heleno seguem demonstrando cada vez mais sintonia e foram praticamente impecáveis na Argentina. Jonathan é o mais regular jogador do Furacão na temporada. Que continue assim, longe de lesões. 


Sidcley precisa de confiança. Mesmo mostrando muita deficiência na defesa, é uma peça ofensiva útil. Ontem, frente a frente com o melhor jogador do San Lorenzo, Cerutti, teve um bom papel, não comprometendo de maneira vital, principalmente pelo fato de o pênalti ter sido um erro grosseiro da arbitragem. Não é perseguindo que teremos um bom lateral esquerdo. Apoiem. 


Rossetto teve uma participação ofensiva bem mais discreta que o habitual, mas surpreendeu defensivamente. Visto que esse é justamente seu "ponto fraco", saimos vitoriosos. 


Na linha de frente, destaque para a já citada lucidez de Lucho, servindo como um equilíbrio de setores, e o "fogo" de Gedoz. Mesmo sendo inconstante, é um jogador absolutamente necessário, pela sua participação e agressividade com a bola. Sua ausência contra o Flamengo irá pesar. Já Nikão, mais uma vez, produziu pouco. Sua irregularidade já indica uma possível ida ao banco de reservas. 


Pablo, na frente, teve momentos de ótima participação e outros de desatenção e desconforto. Ainda acho que é sua melhor posição. Grafite, que entrou no segundo tempo, foi apenas um dispositivo àquela altura o jogo. Wanderson, que entrou para "fechar" a casa, ídem. 


Balanço extremamente positivo. Mesmo com alguns contratempos, fizemos um resultado que nos mantém vivos e demonstrando uma total sintonia do elenco que, mesmo com suas limitações, está "fechado".