Atlético fez o possível para sofrer o empate. Conseguiu

A atuação do Atlético até os 30 minutos da etapa final era a melhor em tempos. No primeiro tempo, gol em jogada muito bem trabalhada e organização para explorar contra-ataques, dando pouquíssimas brechas ao adversário. No segundo tempo, ainda mais pique na marcação e uma dedicação muito grande em manter a bola nos pés para evitar perigo. Tudo isso estragado por decisões erradas de Paulo Autuori e cinco minutos que enterraram a boa partida do Furacão contra a Universidad Católica.


Na escalação, uma novidade significativa. Pablo foi para o ataque, substituindo o suspenso Grafite. Assim, Gedoz foi aberto pelo lado esquerdo e Carlos Alberto, recuperado, veio para a armação. No papel, ótimo, visto que Gedoz se sente mais à vontade pelos lados e Pablo tem um rendimento visivelmente melhor centralizado. Na prática, funcionou parcialmente.


Gedoz foi um dos principais destaques da partida, chamando a responsabilidade e demonstrando muito talento em basicamente todos os aspectos ofensivos. É um potencial craque para elenco, que não pode voltar a frequentar o banco de reservas.


Já Pablo, especificamente hoje, se sentiu um pouco deslocado. Talvez por ter se acostumado a jogar pelos lados, se mostrou bem no sentindo da movimentação, aparecendo constantemente, mas muito mal em fazer o pivô e mostrar um instinto artilheiro, estando constantemente desatento.


No primeiro tempo, o Atlético começou a todo vapor. Isso porque Thiago Heleno resolveu se tornar um “quarterback”. Um lançamento inesperado, perfeito, encontrando Jonathan pelo corredor direito. O lateral, com muita tranquilidade, identificou a chegada de Lucho, que finalizou com bastante categoria para abrir o placar.


Giuliano Gomes/PR Press
Giuliano Gomes/PR Press

Lucho González comemora seu segundo gol nessa Libertadores


A mudança de postura foi clara a partir daí. Entretanto, há uma diferença muito clara entre retranca e estilo de jogo, como o próprio Autuori deveria saber. No restante do primeiro tempo, nos organizamos para a compactação defensiva praticamente perfeita com o objetivo de explorar contra-ataques.


Esses, que acabaram saindo poucas vezes com perigo, mas mais por uma falha no encaixe do que qualquer outra coisa. O objetivo estava ali, sendo muito bem cumprido. No único grande momento, Nikão abriu muito bem para Gedoz, que chutou firme para a defesa de Toselli. No rebote, o próprio Nikão acabou demorando um pouco e perdeu a chance de concluir em gol.


A etapa final trouxe um Atlético muito fiel em sua proposta, consolidando uma das melhores atuações da história recente do clube. Total controle das ações, posse de bola ofensiva e constante ameaça ao adversário. A Universidad teve uma chance isolada no início, com o ótimo Fuenzalida, mas Weverton defendeu em dois tempos.


Ofensivamente, Nikão acabou desperdiçando duas boas chances por demora na conclusão, e Gedoz, em falta direta para o gol, exigiu boa defesa de Toselli. Aos 17 minutos, Autuori trouxe Rossetto para a vaga de Lucho, visando manter o controle das ações, dessa vez com maior participação e ímpeto ofensivo. Ótimo.


Tanto que, com o jovem e talentoso volante, surgiu o segundo gol. Um lindo calcanhar do volante para Nikão, que encontrou espaço e finalizou com muita precisão, sem chances para o goleiro. Golaço do Furacão, que praticamente consolidaria a vitória. Praticamente.


O primeiro erro foi na decisão tática em volta da entrada de Coutinho no lugar de Carlos Alberto. Uma alteração interessante visando uma marcação mais acirrada pelo lado esquerdo, com um novo jogador, cheio de gás, que auxiliaria Sidcley. Porém, Coutinho entrou para ser centroavante, forçando uma marcação pressão que naquela altura já seria inútil. Pablo foi aberto pela esquerda e, claramente desgastado, acabou sendo falho no lance do primeiro gol da Católica. Fuenzalida, que estava sendo acompanhado por Pablo, encontrou liberdade para concluir uma boa troca de passes, encontrando Llanos livre para concluir, nas costas de Paulo André. Primeiro golpe.


Quando disse que não podemos confundir retranca com organização defensiva, me referia ao seguinte fato: Autuori, mais uma vez, chamou. Sem necessidade. Tínhamos posse, dominância técnica e apoio da torcida. Com 2 a 0 no placar. E, mesmo assim, o professor trouxe Wanderson para a vaga de Otávio, deixando a saída de bola praticamente nula, visto que o volante, sacado, é o principal catalisador do time.


Tragédia anunciada. Bola na área e, pra cima de Wanderson, Noir concluiu para as redes. Ainda houve tempo para Pablo, em lance difícil, carimbar o travessão. Mas, a essa altura, já havia um total clima de velório. De empatar um jogo quase ganho, que vinha junto com uma excelente atuação, a melhor do ano. Foi apenas um sonho. Vamos ter que correr atrás e marcar pontos fora de casa, visando corrigir essa trágica primeira rodada da fase de grupos. 


Getty Images
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Duro golpe: vitória na mão jogada no lixo