Furacão estreia na Libertadores. Estamos preparados?

Como dito no texto após a partida contra o Deportivo Capiatá, pela pré-Libertadores, os jogos introdutórios para a fase de grupos serviram para, acima de tudo, trabalhar com o emocional do elenco do Furacão. Técnica e taticamente, tivemos poucas novidades e, convenhamos, algumas negativas, principalmente no aspecto defensivo, que deve voltar a entrar em sintonia rapidamente para não termos problemas mais sérios.


Entretanto, tanto o Atlético quanto o Botafogo têm a vantagem de já ter sentido a pressão de uma Libertadores, visto que ambas as equipes enfrentaram jogos complicados, que em alguns momentos até fugiram do controle, deixando que as coisas ficassem muito mais difíceis que o imaginado. Mas passaram, os dois. E em condições que os deixam mais preparados no psicológico.


Geraldo Bubniak
Geraldo Bubniak

Jogadores comemorando o gol de Grafite contra o Millonarios, na pré-Libertadores


E esse foi o legado positivo do Furacão para esse começo de ano. Individualmente, poucas peças se destacaram. Em especial, Jonathan, o mais regular, Carlos Alberto, que surpreendeu quando pôde entrar em campo, e Gedoz, com uma atuação de estrela contra o Capiatá, demonstrando frieza em momentos de decisão.


O sistema de Paulo Autuori precisa “desengessar”. O técnico, mesmo que muito organizado em sua estrutura tática, é bastante conservador. O que é bom ao pensarmos que foi exatamente esse aspecto que nos classificou para Libertadores, já que, mesmo falho no setor ofensivo, fomos duros, quase impenetráveis na defesa.


Entretanto, não podemos ignorar o ataque. Registramos um dos piores do Brasileirão do ano passado, mesmo com um ótimo sexto lugar. E esse ano, a melhora com relação a peças foi significativa, principalmente com Gedoz, Grafite, Carlos Alberto e, em breve, Eduardo da Silva. E, nesse sentido, continuar jogando “por uma bola” pode ser extremamente perigoso, criando situações de risco, ainda mais com a defesa inconstante no início do ano.


Dito isso, o sistema 4-2-3-1, mesmo que o mais equilibrado e utilizado no mundo atualmente, não encontra variações com Autuori, parecendo imutável. E previsível para os adversários. Um exemplo: contra o Capiatá, mesmo com um homem a mais durante grande período da partida, apelamos na maior parte das vezes para bolas aéreas, sem construções qualificadas “pelo chão”.


Site Oficial do Atlético Paranaense
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Autuori tem total controle do elenco. Mas precisa 'variar'


Temos um grupo complicado, com Universidad Católica, San Lorenzo e Flamengo. Ainda que não estejamos com o melhor elenco ou apresentando o melhor futebol, temos um fator casa poderoso, e, nesse sentido, deixar com que pontos escapem na Arena da Baixada é inaceitável.


Paulo Autuori, mesmo com algumas adversidades expostas, é inteligente, tem controle do grupo e pode nos dar uma classificação, que no momento é especulatória. Porém, não está tão longe de se tornar realidade. E, como o próprio treinador disse: caso não cheguemos tão longe, não há motivo para desespero, o trabalho continuará e seguiremos no caminho certo, em qualquer uma das vias.


É esperar que o crescimento individual de cada atleta seja evidente, que tenhamos um melhor rendimento, especialmente fora de casa e que a Arena da Baixada siga como um personagem à parte, como já é há tempos. Temos o direito de sonhar.