Qual a real função de Pablo?

Pablo se destacou nas categorias de base do Furacão atuando como atacante, ainda entre 2010 e 2011. E, a princípio, teve uma jornada bastante curiosa. Em seus primeiros jogos pelo profissional, em uma temporada muito complicada para o Atlético (que culminou em rebaixamento), ele foi aproveitado no ataque. Pouco rendeu, e imediatamente acabou "esquecido". 


No ano seguinte, Juan Ramón Carrasco, conhecido por grandes invenções, achou que seria uma ideia interessante colocá-lo na lateral-direita. E tal decisão "amaldiçoou" Pablo, visto que, quando era aproveitado, tinha que jogar fora de posição, já tendo jogado até como volante. Se tornou um "faz tudo".  


Com poucas chances, foi emprestado diversas vezes entre 2013 e 2015. E demonstrou talento quando foi escalado corretamente em outros clubes. No Figueirense, atuando no ataque, marcou 12 gols em 47 partidas (números de duas passagens). Também passou um tempo no Real Madrid B (Castilla), onde teve oportunidade de treinar com Cristiano Ronaldo (como relatado aqui) e teve seu último empréstimo no Cerezo Osaka, onde conheceu Paulo Autuori e fechou a passagem com números razoáveis, somando 8 gols em 40 partidas. 


Dito tudo isso, vamos ao ponto. Desde que voltou ao Atlético, em 2016, e ganhou voto de confiança de Paulo Autuori, Pablo não voltou a atuar em setores bizarros dentro de suas características. No usual 4-2-3-1 atleticano, entretanto, jogou em todas as posições ofensivas, seja pela direita, pela esquerda, na armação ou como centroavante. Foi útil em todas, mas mostrando estar mais confortável atuando de maneira central


Giuliano Gomes/PR Press
Giuliano Gomes/PR Press

Pablo comemorando um gol durante a temporada de 2016


Mesmo não sendo um armador de ofício, Pablo teve um excelente desemprenho atuando por trás dos principais homens de frente. Os pontos fortes foram movimentação, facilidade de se adaptar taticamente, fazendo inversões com pontas e centroavante, elemento surpresa, por baixo e no jogo aéreo e marcação pressão. A desvantagem, reforçando, se dá por conta da ausência de jogadas propriamente de armação, o que não quer dizer que ele seja "inútil" nesse sentido, contribuindo com alguns passes interessantes, especialmente nos contragolpes. Também é importante ressaltar que Pablo é um jogador que pouco enfeita, sempre buscando a opção mais segura e sem forçar erros, o que é bom para um articulador. 


Sua outra posição favorita seria a de centroavante. Olhando para os números citados mais acima, fica claro que Pablo não é exatamente um matador. Mas viveu seus melhores momentos em 2016 "aproveitando" a lesão de André Lima para se tornar referência. E, aqui, destaque para sua movimentação, sendo sempre inquieto e sem esperar a bola no pé. Seu jogo aéreo também é forte, e o ponto a melhorar seria justamente a finalização. Mesmo assim, olhando para seu aspecto colaborativo, sendo um jogador muito dinâmico e importante taticamente, seria ótimo tê-lo à frente em mais oportunidades. É onde ele se sente bem. 


Gazeta Press
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Atacante, Pablo se vê ainda 'distante' de jogar em sua posição favorita


Atualmente jogando como ponta, Pablo limita seu jogo ao "elemento surpresa" em bolas aéreas. É ativo na marcação pelos lados, um fator de vital importância no esquema tático. Entretanto, apresenta algumas falhas irritantes no aspecto defensivo, fazendo do lado esquerdo da defesa (em parceria com Sidcley e Lucho) o mais exposto do Furacão. Voltando ao ataque, Pablo também não é atleta de velocidade/habilidade, o que impede, na maioria das vezes, jogadas de infiltração/drible com a bola.


Assim, seguir utilizando Pablo majoritariamente na ponta é um desperdício, já que é um jogador com características muito mais propícias ao centro, e dar mais sequência a ele por ali pode ser importante para seu desenvolvimento. Hoje, os concorrentes mais próximos seriam Carlos Alberto e Grafite, respectivamente, e nenhum dos dois se trata de uma certeza no elenco. Dessa forma, vale a pena testar diferentes alternativas.