Galo aposta alto, mas se esquece da defesa

Por Daniel Michelini


Desde 2012, o Galo voltou a exercer seu papel de protagonismo no futebol brasileiro. Após um longo e tenebroso (bota tenebroso nisso) inverno, onde tentaram, de todas as formas, cavar um buraco que coubesse o Atlético, pessoas compromissadas meteram cara e coragem para recolocar o time na ponta de cima das tabelas.


O resultado não poderia ser outro. Os títulos da Libertadores, Recopa e Copa do Brasil vieram para que o torcedor extravasasse e soltasse parte dos gritos que estão entalados na garganta. Em 2017, chegamos a nossa quinta Libertadores consecutiva, algo inimaginável há seis, sete anos. O Galo ganhou poder de investimento, confiança no mercado condições para trazer jogadores de renome. O conjunto da obra resulta no aumento de credibilidade e potência da marca Clube Atlético Mineiro.


Dito isso, partamos para uma pergunta: com tamanho investimento, ganhar grandes títulos é obrigação? Óbvio que não. Ser o primeiro colocado em competições como Brasileiro e Libertadores não é obrigação de nenhum clube que tenha o poder econômico do Galo, até porque há outros clubes que, por motivos descabidos, ganham o dobro de dinheiro pelo contrato de televisão. Mesmo alavancando seu poderio econômico, o Galo precisa ser cirúrgico nas aquisições.


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Bruno Cantini/Divulgação CAM
Bruno Cantini/Divulgação CAM

A diretoria deu seus 'tiros certos', mas esqueceu de alguns setores


Fred, Robinho e Elias, por exemplo, foram três tiros certos. Não há o que contestar sobre estas contratações. Três jogadores acima da média para o futebol brasileiro, apesar da idade. Cazares e Otero, de desconhecidos no futebol latino-americano, se tornaram duas peças fundamentais no elenco. Méritos para a diretoria e ao setor de análise de desempenho do clube. Contudo, todos estes citados possuem características ofensivas.


Desde 2015, o clube peca em reposições no setor defensivo. Vendemos Jemerson no início de 2016 e a reposição para o zagueiro de seleção foi Erazo. Com o elenco momentâneo, a zaga titular seria, para a maioria, Léo Silva e Gabriel. No mundo ideal, seria a dupla de zaga reserva. Léo Silva, um dos maiores jogadores da história, tem muito a contribuir com sua experiência, mas não aguenta a sequência de jogos do nosso calendário. Gabriel é uma jovem promessa que, ao meu ver, ainda não está pronto. Tem falhado com frequência, apesar de demonstrar qualidade.


Às vezes, o Atlético parece a figura daquela criança que junta dinheiro durante um ano, mas quebra o porquinho para comprar outro porquinho. Há contratações que devem ser feitas não pensando somente num retorno futuro. Os três citados primeiramente são provas disso. Em 2013, Kalil não titubeou ao contratar jogadores renomados para que servissem como opção, casos de Gilberto Silva e Josué.


A defesa carece, há três anos, de alguém que chegue para resolver e tomar conta do setor, como tivemos Réver, Léo Silva (no auge físico) e Jemerson. Caso contrário, continuaremos na mesmice, preterindo qualidade à quantidade.