Clássico mineiro: o ego é maior que o espetáculo

De um lado, uma diretoria que não garante os clássicos no Mineirão; do outro, uma diretoria que tenta vetar até mesmo as crianças que entrarão em campo. Enquanto isso, nas arquibancadas de um estádio que antes abrigava os dois maiores clubes de Minas, os torcedores de Atlético e Cruzeiro são obrigados a conviver com uma partida sem o espetáculo de outrora.


Na última terça-feira (28/03), as diretorias de ambos os clubes se reuniram na Federação Mineira de Futebol (FMF) para definir quais seriam as medidas tomadas para garantir a segurança do clássico. Diferente do jogo pela Primeira Liga, realizado no dia 1º de fevereiro, a partida desse sábado não seria 50-50 - ou seja, com torcida dividida -, devido ao fato que o Galo não assegura mandar os clássicos no Mineirão.


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Carlos Roberto/Gazeta Press
Carlos Roberto/Gazeta Press

Mineirão com as duas torcidas: um passado cada vez mais distante


Por sua vez, a diretoria cruzeirense informou que não permitirá o uso de bandeiras, instrumentos e muito menos a entrada do Galo Doido em campo. Também foi consultado se os mascotinhos - as crianças que entram em campo - poderiam ser vetados, o que foi negado pela FMF.


Em uma briga digna de maternal, as diretorias de Atlético e do Cruzeiro parecem se esquecer do principal motivo do jogo: as arquibancadas. É incompreensível que, depois do exemplo dado na partida da Primeira Liga, os egos ficarem mais inflados a ponto de retirar os principais pontos da festa. A PMMG, por sua vez, se abstém da decisão, e a FMF, que deveria defender os interesses dos torcedores de seu campeonato, assiste tudo passivamente.


Através de nota oficial, a Galoucura, maior organizada do Galo, disse que estará fora da partida, "uma vez que as condições para nós estão muito abaixo da nossa grandeza".


Seja Atlético ou seja Cruzeiro, ambas as diretorias deveriam usar de inspiração os últimos jogos do Atletiba, clássico paranaense que está dando aula de como manter uma rivalidade sem perder o espetáculo. Aqui, ainda temos muito a aprender. A briga de egos está acabando com o espetáculo mineiro.


Getty Images
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Os times estarão juntos em campo; as torcidas, não