Sorte que o Galo não leva mais gol no começo do jogo

Houve um momento na história do Atlético em que o time sempre levava um gol nos primeiros minutos de jogo. Otimistas, a aposta que fazíamos era sempre a mesma: "de quanto a 1 iremos vencer hoje?"


Era batata. O incauto torcedor que entrasse atrasado no estádio fatalmente já encontraria o placar adverso para o Galo. Mas isso é passado. Para passar a fortaleza alvinegra e deixar seu gol, o adversário gasta brocas de diamante, titânio e adamantium, e ainda assim periga de não marcar. Viva a defesa atleticana!


Houve um momento na história do Galo que os jogadores, quando com a posse de bola, faziam a escolha errada e acabavam destruindo uma jogada que poderia levar ao gol. Era impressionante, como se os atletas não treinassem juntos e não pudessem antever o movimento do companheiro. Em vez da abertura na lateral, a jogada centralizada que sempre terminava no pé adversário. Em vez do arremate, aquele toque extra, eventualmente uma firula, produzindo o nada com coisa alguma.


Mas isso foi nos tempos de pratrasmente. Hoje em dia, rivais sentem tonturas constantes após jogos contra o Atlético. Remédios para labirintite são distribuídos no vestiário após a partida, tratamento intensivo. Os jogadores atleticanos se comunicam por telepatia. Um salve para o carrossel alvinegro!


Houve um tempo na nossa história que nada do que os atacantes fizessem resultaria em gols. Com quatro meias e sem um homem de referência e nada do tento. Com três meias e um atacante fixo, nada de caixa. Com seis meias, dois pontas e dois fixos... Zero!


Hoje o Galo é essa máquina avassaladora de gols. Gol de zagueiro, de lateral e meia, e, acredite, até de atacante. Aguardamos o momento em que o nosso goleiro irá ultrapassar Rogério Ceni no livro dos recordes.


Na minha memória, guardo um jogo no qual o Galo alcançou seu ápice negativo: Brasileirão de 2014, quando perdemos para o Atlético do Paraguai por 1 a 0, gol aos 43 segundos de jogo. Um show de escolhas equivocadas, jogadores batendo cabeça e, mesmo jogando num ofensivo 0-6-4 , abusamos do direito de boicotar a nossa alegria. Apresentação incompatível com um time que brigava por vaga na Libertadores do ano seguinte.


Ainda bem que tudo isso é passado e que esse time de 2016 está jogando o fino da bola.


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Atlético-PY 1 X 0 Atlético: jogadores alvinegros mostram todo o entrosamento