Galo 2017: entre a fé e a fogueira

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Se Jesus não tivesse dado Seu expediente na Terra e vivido todas as provações, expiado os pecados do mundo e deixado a semente que germinaria numa nova religião de seguidores crentes nos 4 cantos do mundo, o Galo certamente seria identificado como o messias descrito nas antigas escrituras. Porque se depender do sofrimento e da da paixão atleticana... eu vou te falar!


A semana que passou foi penosa demais! A derrota para o Bahia, a enésima em casa em 2017, foi a gota d’água para a diretoria alvinegra, que demitiu o técnico Roger Machado do comando do time. Logo ele, que havia sido apontado como a luz que iluminaria um novo caminho para as nossas conquistas, as quais batemos na trave em 2015, com o vice-campeonato brasileiro, e em 2016, com o vice da Copa do Brasil.


O revés para o tricolor da Boa Terra foi a senha para Nepomuceno e cia promoverem a mudança no comando do futebol que entenderam possível ou necessária. Ao invés de optarem por um maior suporte ao treinador e, assim, manterem a filosofia proposta para o ano, trocaram o treinador, abriram mão da obra até ali desenvolvida e, se bobear, jogaram 2017 na lata do lixo.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Com Rogério Micale no banco, o Galo foi ao Rio de Janeiro tentar manter as chances de um título nacional na temporada. Contra o Botafogo, bastava ao Galo um empate ou uma derrota por 1 gol de diferença para avançar ou ir para os pênaltis, onde Victor, santo, costuma fazer a diferença. Fomos expulsos do templo com 3 chicotadas e voltamos para casa feito o filho pródigo, mas órfão de pai e mãe. Longe da briga no Brasileirão e fora da Copa do Brasil, só nos resta sonhar com um milagre na Libertadores.


E então veio o Coritiba de Marcelo Oliveira, fora de casa, num domingo com gols de Jô e Réver em um mesmo jogo, mas não a favor do Atlético. Jô. Réver. Gol. Galo… Foram tantas as vezes que essas quatro palavras estiveram juntas que, hoje, repleto de sentimentos antagônicos, sinto saudade.


Meu coração está em paz pelo momento vivido pelo atacante da camisa 7, o artilheiro da Libertadores de 2013. Seu ciclo no Galo estava completo e ele merecia ser feliz de novo. Mas a tristeza que sinto por ver o nosso capitão América, o mesmo que imortalizou a frase “Cruzeiro é o meu piiiii”, hoje com a braçadeira daquele time do coisa ruim, é de partir o coração. Seu futebol e sua liderança deixaram uma lacuna até hoje não preenchida no Galo.


Assim como Jô e Réver, Marcelo Oliveira e Coritiba são dois grandes e históricos parceiros do Galo. Assistir um jogo do alvinegro em Curitiba é como estar em BH, no meio da Massa. A torcida Coxa Branca, assim como a palmeirense, recebe muito bem a nação atleticana em sua casa. Das uniões mais sinistras e sinceras que você respeita.


Já Marcelo Oliveira, ex-atleta identificado e técnico, curiosamente não consegue virar a cara ao Atlético. Assim como quando treinava o Cruzeiro por 30 moedas e nos enfrentou numa final de Copa do Brasil, mais uma vez viu seus comandados perderem para o time do coração. Faz muito sentido! Quando o Galo ganha, até ele, Marcelo, respira mais fácil. O atleticano é esse povo escolhido pela providência para viver a paixão de forma plena.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


O Galo, se não é um ser divino, acreditamos piamente ter sido enviado por Ele e, por isso, confunde-se com uma religião, o que pode ser até perigoso. Por isso, uma reflexão e um pedido.


Que os atuais condutores dessa entidade não se sintam Malafaias e Felicianos da vida, definindo quem pode ser considerado digno do atleticanismo. A fé ao Galo não lhes pertence e as críticas que ora recebem, assim como os elogios já feitos em muitos outros momentos, são legítimos e necessários. O nome que a História dá para as perseguições promovidas por líderes da fé é inquisição. E a História, assim como a bola, punem aqueles que jogam os críticos na fogueira.