Roger caiu, e uma sequência de péssimas decisões podem tirar o Galo do rumo

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Lá se vai mais uma esperança alvinegra despejada na lata do lixo do laboratório instalado na Cidade do Galo. A promessa de um futebol equilibrado, inteligente, de jogadas ensaiadas, linhas compactadas, triangulações, amplitudes e profundidades, todas essas palavras do dicionário do futebolês que significam a mesma coisa: vitórias consagradoras. Roger Machado deixa o comando do Galo e o Galo, tal qual o Dexter do desenho, já ensaia outra fórmula para salvar 2017.


A frase é clássica: 'futebol não é uma ciência exata’. E, justamente por não ser matemática, de números frios e lógicos, há que se apelar aos protocolos conhecidos e testados que minimizam os erros e aumentam as chances de êxito.


O que se busca saber quando se avalia a possibilidade de título de uma equipe: Há comando único e bem definido? Há manutenção de uma linha de trabalho na qual se acredita e sustenta? Os acordos financeiros e de comodidades são cumpridos à risca? Os egos e interesses são administrados? Atletas compartilham os mesmos objetivos e há fortalecimento do espírito coletivo? Responda positivamente a cada um desses quesitos e some-os ao trabalho - muito trabalho - e haverá uma chance de conquistas.


Se fosse possível analisar cada um desses elementos, sem levar em consideração todos os outros esquecidos, qual seria a nota da diretoria, comissão técnica agora demissionária e jogadores do Atlético de 2017? Para responder, precisamos dar dois passos pra trás e analisar o modus operandi da direção alvinegra desde que assumiu, final de 2014.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


No primeiro ano, manutenção da espinha dorsal do seu antecessor, Alexandre Kalil. Diretoria, comissão técnica e a maior parte do elenco. O legado Kalil sustentou 2015, com um reforço importante trazido por Daniel Nepomuceno, o argentino Lucas Pratto. Bola dentro, que, se não fomos brilhantes na Libertadores, tivemos um Brasileirão digno com o vice-campeonato. A pressão pelos resultados adversos no final do ano culminou com a demissão de Levir Culpi e a revelação de traços da nova presidência: crenças maleáveis e decisões susceptíveis a mudanças de rota conforme as críticas da torcida.


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A luta contra a terrível doença do diretor de futebol Eduardo Maluf tirou-o de cena durante 2016 e 17, culminando com sua morte. Ele conduzia a gestão dos egos dos atletas e interesses de seus empresários com rara habilidade e era o responsável por administrar as crises entre jogadores e deles para com o clube. Hoje, sem um homem forte do futebol, percebe-se pelas declarações que jogadores estão descontentes uns com os outros e a sensação é de que cada um joga por si.


Desde a saída de Levir, foram 3 os técnicos que tentaram traçar uma rota para o Galo: Diego Aguirre, Marcelo Oliveira e Roger Machado, demitido hoje. Vamos para o 5˚ treinador em menos de 32 meses da gestão Nepomuceno. Em que pese o fato de Kalil ter tido números semelhantes em seus primeiros anos à frente do Galo, é fundamental lembrar que o momento vivido pelo clube como o atual prefeito de BH assumiu era outro: salários atrasados, descrédito na praça, uma confusão dos infernos. Nepomuceno recebeu o Galo equilibrado e vitorioso.


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Assim, analisando o cenário alvinegro e respondendo ao check-list proposto, falta sim comando único e bem definido no futebol, manutenção de uma linha de trabalho na qual se acredita e sustenta verdadeiramente, os egos e interesses dos jogadores e empresários estão em ebulição e o único espírito fortalecido no grupo é o de espírito de porco. As promessas financeiras parecem estar em dia, o que não é pouco.


É claro que eu torço pelo acerto do presidente e de sua diretoria. O sucesso deles é a minha felicidade. Que aprendam com os erros cometidos até aqui. Temos chances na Copa do Brasil e Libertadores. O Brasileirão já era. E se não abrirmos o olho, poderemos passar sufoco no final do ano.


Bruno Cantini/Atlético
Bruno Cantini/Atlético

A gente não merece passar por isso, né, Luan?