Falta gestão no futebol profissional do Galo

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Na minha opinião, falta gestão no futebol profissional do Atlético. Falta um executivo da bola à frente desse departamento no clube. Não dá para essa função ser exercida pelo presidente. Não deu nas gestões passadas. Não dará agora. O modelo Eurico Miranda de arrombar porta de vestiário para cobrar atleta já era, não funciona mais.


A chegada de Eduardo Maluf foi fundamental para a guinada na gestão de Alexandre Kalil. Era ele quem blindava o grupo, resolvia as questões do dia a dia, escamoteava da mídia os vacilos dos jogadores baladeiros e cobrava nas internas. Sua ausência vem sendo muito sentida, desde que saiu para tratar da doença que o levou.


Roger tem acumulado funções que o fazem se expor interna e externamente. E, ao invés de substituírem o insubstituível Maluf por um profissional tarimbado, optaram por trazer o coordenador da divisão de base, André Figueiredo que, em sua apresentação, afirmou que acumularia a função antiga com a nova. Nem se o diretor fosse tão experiente seria adequado fazê-lo…


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Se o elenco estava desequilibrado quando Roger assumiu em janeiro, foram dele também algumas das indicações que, até aqui, não vingaram: Felipe Santana, Roger Bernardo, Adilson, Valdivia e Marlone ainda não justificaram a contratação. Não sei quantos deles vieram a pedido do técnico e quantos foram escolha da diretoria. Rafael Moura já era jogador do Galo, contratado em 2016, logo não fica na conta do treinador. O fato é que não houve um reforço real, à exceção - talvez - de Elias, que ora joga como nos tempos de Corinthians, ora mais faz lembrar seu passado recente de Sporting.


A quantidade de lesões não pode ser creditado ao trabalho feito por Roger, uma vez que foi assim também em 2016. E aí, pergunto: será incapacidade da preparação física/departamento médico ou são jogadores já com lesões crônicas, incapacitados à uma sequência de jogos para criar padrão? Independentemente disso, há aí mais um elemento inconteste de má gestão na composição do grupo de trabalho.


E sobre a gestão de pessoas? O quanto temos visto jogadores engajados com os colegas e com a instituição? Será que alguns dos medalhões confrontam o treinador? Se há uma verdade no futebol, é a da existência de panelinhas. E, no Galo, há jogadores de larga folha corrida na derrubada de técnicos. Qual dos estrelinhas tem humildade de perceber que não vive um bom momento e deixa Roger confortável para colocá-lo no banco? E o quanto Roger tem pulso (e respaldo) para fazê-lo? Ano passado, num resort em Fortaleza-CE, encontrei e conversei longamente com o Jardel, ex-jogador do Grêmio e companheiro do atual treinador atleticano. E ele me disse: ‘O Roger é muito bonzinho. Tem boleiro que não respeita esse tipo de comando’.


Daniel Nepomuceno e sua diretoria vão ter de decidir o que fazer para fortalecer o comando alvinegro, e que estrutura colocarão à disposição do departamento de futebol profissional do Galo. Apenas assistir aos treinamentos de reservas à beira do gramado não adianta. Roger, continuando na Cidade do Galo, vai ter de buscar nas categorias de base atletas que possam dar a resposta que ele precisa, como aconteceu recentemente com o zagueiro Bremer. E a torcida terá de conviver com a inconstância natural da performance da garotada quando sobe.


O amadorismo recentemente comemorou o aniversário dos 7 a 1 da Alemanha em cima do Brasil na Copa de 2014. Todas as vezes que a gestão do futebol tem um viés provinciano, levamos uma goleada. Dá tempo de mudar e acredito no propósito atleticano do presidente e diretoria e na competência técnica da comissão. Mas identificar os erros e corrigi-los é fundamental e é pra agora. O Galo não merece mais passar por esse tipo de situação. 


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

Há gerações de atleticanos a proteger