É hora de colocar o espírito coletivo em campo no Galo

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Não é que o Galo esteja numa fase de instabilidade na temporada de 2017. O time de Roger Machado simplesmente não estabilizou hora nenhuma. Os seus momentos de lucidez foram estalos, lampejos de luz na escuridão, pontos fora da curva. E, em todos eles, achávamos que o Atlético enfim havia encontrado o rumo. Que nada! As lideranças na fase de grupos da Libertadores e na primeira fase no Mineiro se deram graças à fragilidade dos adversários. As vitórias no clássico mineiro e consequente título do Regional foram turbinadas pela rivalidade. Por vir de um futebol onde clássico define quem permanece no emprego e quem é demitido, ao menos, Roger soube até aqui extrair o máximo de sua equipe nos confrontos com o Cruzeiro. E só.


Roger não é o único responsável por essa montanha-russa que vive o Galo na temporada. Basta analisar o fato de serem os atuais a esmagadora maioria dos atletas que estavam à disposição de Marcelo Oliveira em 2016. A mesma falta de coletividade registrada em tantos textos desse blog que poderíamos sustentar teses e dissertações, foi, outra vez, a tônica do Atlético enfrentando o Botafogo no Rio de Janeiro pelo Brasileirão.


"Nosso time tem que parar de ser egoísta, pois todo mundo é quem ganha, os três pontos vão para o time todo. Não é a primeira vez que isso acontece. O Roger mostra sempre o que acontece dentro de campo, então precisamos ter mais atenção para não acontecer de novo." Marcos Rocha


Até quando Luans e Marcos Rochas precisarão soltar o verbo em entrevistas, alertando a falta de espírito de time desse grupo? O que falta para que eles se comprometam, acima de tudo, com os objetivos da instituição e a torcida? O quão estão verdadeiramente engajados com os colegas de trabalho? E, aqui, não me refiro apenas aos atletas profissionais, uma vez que quando o título vem, os roupeiros, massagistas, todo o staff, muitas vezes remunerado com uma fração ínfima dos salários dos jogadores, sai ganhando...


Os dois pontos perdidos no Rio por displicência e excesso de preciosismo do Galo, somados aos tantos outros perdidos nas primeiras rodadas do campeonato, vão nos colocando praticamente fora da disputa por esse título. E, se depender desse comportamento egoísta no momento de decidir por uma jogada na qual poderá se consagrar individualmente em detrimento de tocar para o jogador mais bem colocado, poderemos ver ruir todas as nossas expectativas de conquistas desse ano.


Roger até parece acenar com modificações estratégicas. Ao propor formações alternativas, como fora contra a Chapecoense, quando vencemos por 1 a 0, e no primeiro tempo no Engenhão, onde também vencíamos pelo mesmo placar, vi o técnico tentando deixar claro o quanto alguns atletas jogam em função do clube enquanto outros buscam o holofote para si. Mas ainda é pouco e o que iremos colher no final do ano está sendo definido agora. Acorda, galera! É hora de colocar só quem está comprometido com o coletivo em campo.