Libertadores: que começo de mata-mata foi esse, Galo?

Não faz 20 anos que a Copa Libertadores da América tomou a proporção e a importância que tem desde então. Era uma competição valorizada por catimbeiras equipes hermanas, onde afiavam as travas das chuteiras nas canelas adversárias. Ainda bem que a benta canhota de Victor não dava expediente por ali… Apenas o campeão e vice de cada país participava e, por isso, o Galo fez presença vip nos anos de 72, 78, 81 e 2000. Eventualmente, seguiam o campeão do Brasileiro e o vencedor da Copa do Brasil.


À exceção da primeira experiência, em 72, em todas as outras edições o Atlético superou a fase de grupos. Em 2013, seguiu até o título. Naquela edição, o Alvinegro fora dono da melhor campanha entre todas as equipes, permitindo o Galo definir a classificação de cada fase em casa. O mesmo acontecendo na presente edição. Por isso, a partida desta quarta-feira com os bolivianos de Cochabamba teve um resultado importante, mas não definitivo para sacramentar a vaga para as quartas de final.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


O 1 a 0 do primeiro tempo foi resultado de 5 aspectos cruciais: 1. A falta de gás que o ar rarefeito traz. Cochabamba está a 2.550m do nível médio do mar e o time titular do Roger Machado não é assim uma referência nacional de condicionamento físico. 2. A necessidade de correr mais para preencher os espaços, uma vez que o estádio boliviano tem dimensões tipo Itu. 3. A dificuldade de dominar a bola, que chegava queimando nos pés da galera de preto e branco devido o gramado irregular. 4. Jovens atletas como Alex Silva e Yago sentindo o peso da Libertadores. 5. Atletas diferenciados como Fred, Robinho e Cazares apagados ou ausentes na partida, chamando pouco a experiência foi minando a defesa alvinegra.


No segundo tempo, Valdivia, Otero e Rafael Moura entraram para tentar algo novo e não conseguiram reverter a situação, apesar de uma bola na trave de He-Man. O Galo foi desconexo, afoito e muito pouco eficaz. A quantidade de erros, dos passes às escolhas de jogadas, lembrou as piores apresentações atleticanas na temporada, como contra o Vitória-BA.


A vantagem da experiência de jogar sua quinta Libertadores seguida é saber que um resultado como esse 1 a 0 é plenamente reversível. No Horto, em condições normais de temperatura e pressão, fazer os dois de diferença necessários para avançar às quartas é perfeitamente possível. Largamos atrás, como em outras oportunidades quando tivemos de mostrar que o Galo é o time da virada. E mostramos! Aliás, muito recentemente e contra uma equipe um pouco mais qualificada que o Jorge Wilstermann.


Vamos, Galo, ganhar a Libertadores!