Voltar a vencer no Horto. Ganhar do Bota. Não levar gol: é pra glorificar de pé

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Voltar a vencer no Independência, outrora cemitério de adversários. Vencer o Botafogo, pedra no sapato atleticano desde o centenário em 2008. Não levar gol jogando praticamente o segundo tempo inteiro com um jogador a menos quando, mesmo jogando com os 11, vez ou outra lá está o adversário encontrando um gol maroto. É ou não é para glorificar de pé, igreja do amor perpétuo ao alvinegro?


O 1 a 0 no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil não pode ser analisado como uma vantagem desprovida de tecido adiposo. Esse resultado é robusto, sim. O Atlético, no campeonato mineiro, soube muito bem lidar com uma vantagem mínima (jogar pelo empate) contra o Cruzeiro e levantou o caneco. Quando o Galo não precisa propor o jogo e, por isso, joga compacto e de forma cerebral, costuma mostrar o melhor do seu futebol. Essa é a cara do estilo Roger Machado de jogar. Não significa que já estamos classificados e que enfrentar o Botafogo no Rio será moleza. Será mais uma decisão!


Mais do que o resultado em si, foi a forma como o Galo jogou, ainda mais quando ficou em desvantagem numérica. Entrega máxima dos jogadores, até mesmo de forma desmedida. Dá uma sensação boa ao ver um comportamento mais comprometido dos jogadores com seus colegas e com o objetivo do clube. É parte do que precisamos não só para o clássico de domingo, como para o restante da temporada: espírito coletivo. E essa doação em alguns momentos foi exagerada, gerando cartões amarelos e até certo ponto justos. A bronca com a arbitragem foi que, para as infrações semelhantes do Botafogo, nenhum cartão. Dois pesos e duas medidas. Se a expulsão de Fred após os dois cartões amarelos não foi incorreta, nada do que o adversário fez, aos olhos da arbitragem, mereceu punição.


Frederico me parece um moço bom. Não há uma única vez que não me emociono com o seu comportamento com as crianças na entrada de campo. É de um zêlo, um carinho… O que será que acontece depois que o som do apito soa que desperta no nosso camisa 9 o Mr. Hyde? É a adrenalina do jogo? Será algo que lhe falam ao ouvido, tipo “e você que já jogou no Cruzeiro, hein?” que liberta essa ira incontrolável? É a segunda vez que Fred nos deixa na mão com sua infantil expulsão. Agrediu o zagueiro do rival quando atacávamos, em um clássico no início do ano. Agora, um puxão de camisa e uma falta no meio de campo tiram ele do jogo. Talvez a falta de um substituto a altura de Fred, como antes tinha o Pratto, deixe-o confortável e displicente. Hoje, foi feio.


Entre mortos e feridos salvaram-se todos. Quer dizer, há que se conferir o DM do Independência para ver se ninguém morreu do coração durante o jogo de hoje. O Galo deu um importante passo na Copa do Brasil e aprumou a crista para o duelo de domingo. Com essa raça, Cazares inspirado, jogo coletivo e 11 em campo, vamos reconstruindo a mística do caldeirão do Horto.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

É isso aí: mais amor, menos Temer e muito respeito à diversidade