Galo e Furacão: na véspera do feriado, um gosto de segunda. Segunda divisão

Fossem outros os tempos, jogar com um jogador a mais em campo durante todo o segundo tempo, em pleno Horto, já haveria de ser vantagem suficiente para vencer o Real Madrid. Éramos imbatíveis no Independência. Você ainda se lembra do famoso bordão cunhado pelo meu amigo Fred Melo Paiva, “Caiu no Horto, tá morto”? Era assim na era Cucabol, no período de futebol morocoxô de Autuori, na bagunça organizada de Levir, sob o comando do contestado uruguaio Aguirre e até sob a batuta de Marcelo Oliveira.


11 de cada 10 entrevistados haveriam de apostar na vitória do elenco atleticano diante do lanterna do Campeonato Brasileiro. Afinal de contas, não era ele considerado o melhor do Brasil? “Fred e Robinho, ataque de seleção”, dizíamos. “Rafael Carioca e Elias, a melhor dupla de volantes técnicos do futebol brasileiro”, sustentamos. “Roger, o técnico sensação”, festejamos quando o gaúcho chegou em BH. E, contra o time que ainda não havia vencido no torneio, eram 3 pontos garantidos nas tabelas de qualquer torcedor.


Quarta-feira 14 de junho de 2017. Atlético e Atlético Paranaense, no Horto, com um atleta do Furacão expulso ainda no primeiro tempo. E quem vence?


A falha bisonha do zagueiro Felipe Santana que originou o gol adversário foi só mais uma das falhas do time Roger nessa noite de horrores. O time apático do Galo errava passes de 2 metros, cruzamentos e escanteios (por que tão baixos?), finalizações, coberturas... O time errava a postura e o propósito. Estavam ali cumprindo tabela, numa economia porca de energia e entrega. Podiam ter economizado a torcida, já que era para jogar daquele jeito.



Quaisquer que sejam as pretensões do presidente Daniel Nepomuceno, sua diretoria e comissão técnica, há que se questionar que campanha querem para o restante da temporada. A ausência de jogadores importantes podem justificar a falta de magia em campo. Mas nada justifica a falta de qualidade, pois é um dos planteis mais caros do futebol nacional. O que esses caras estão apresentando permite despertar todo tipo de suspeita, de desejo da queda do técnico aos rachas no grupo. Porque desaprender, não desaprenderam a jogar.


Nessa noite de véspera de feriado, o que tivemos foi uma depressão típica de segunda-feira. E com gosto de segunda divisão.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

Não é assim, mesmo, que vamos chegar a algum lugar, Roger. Não mesmo!