Brasileirão é a sofrência do atleticano

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Quando Cuca chegou em 2011, brigávamos para não cair. O Galo era um arremedo de equipe e, coletivamente, nada funcionava sob o comando de Dorival Júnior, o mesmo que havia nos salvado do rebaixamento no ano anterior, quando substituiu Vanderlei Luxemburgo, apresentado em 2010 como o messias que nos comandaria rumo às conquistas. Cuca chegou e evitou um segundo descenso alvinegro, mas não nos safando do vexatório 6 a 1.


No ano seguinte, após a conquista do Campeonato Mineiro de 2012, o time de Cuca, reforçado de um Ronaldinho Gaúcho, Jô e Victor, brigou palmo a palmo com o Fluminense, de Fred, pelo título nacional. Não levou, mas se credenciou à Libertadores de 2013, história que qualquer ser vivente em nosso sistema solar é capaz de contar. O Brasileirão, esse amor platônico atleticano, ficou mais uma vez em segundo plano, negligenciado pelo time que iria disputar o mundial.


Cuca foi pra China, veio Autuori e, depois, Levir. Com a saída de Ronaldinho, coube a Luan, Guilherme e Tardelli o protagonismo na conquista do Brasil, mas não do Brasileirão. Para 2015, ficaram Levir e Luan, foram-se os outros. Chegou Lucas Pratto e, mais uma vez, a crença de que, enfim, a tataraneta da taça de 1971 voltaria para Lourdes, o que não aconteceu nem naquele ano e nem no ano seguinte, sob o comando de Marcelo Oliveira.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

As rasteiras que a vida nos dá


Conquistar o título nacional é uma obsessão atleticana. Fôssemos gregos, certamente haveriam de escrever uma mitologia com a história alvinegra. Sempre que parece estar próximo o fim do jejum, esse ano completando 46 anos, acontecimentos afastam a taça de nossas mãos. Não apenas nos últimos 7 anos relatados aqui. É histórico! O Brasileirão é a nossa “Caverna do Dragão”.


E nada faz pensar que 2017 será diferente. Considerado um dos melhores elencos do futebol sul-americano, o Atlético se classificou em primeiro lugar geral na Copa Libertadores da América na fase de grupo, mas vem perdendo chances seguidas de conquistar pontos e crescer na competição doméstica. A derrota para o Vitória (a segunda no torneio), em Salvador-BA, faz o Galo estacionar em parcos 6 pontos ante os 18 disputados. 1 vitória e 3 empates. 33% de aproveitamento, performance de time rebaixado. O que faz o Galo produzir tão abaixo da crítica esse ano?


Elenco


O time titular é digno de todas as homenagens e expectativas. Mas há tempos não jogamos com ele. Marcos Rocha e Leonardo Silva, lesionados, não têm substitutos à altura no banco. E, quando seus companheiros também ficam de fora por suspensão, aí é que o angu desanda. As ausências de Gabriel e Fábio Santos abrem caminho para Erazo e Danilo que, contra o time baiano, deixaram claro a falta de condições de jogo de ambos. Do meio pra frente as peças de reposição não têm as mesmas características dos titulares. Ficamos acéfalos sem a presença (ou num péssimo dia) de Cazares. Por mais que tentem, Valdivia e Marlone não conseguiram empreender a mesma intensidade do Luan pelos lados. Otero é o que mais se aproxima. E a garotada da base precisa encorpar mais o futebol para que possam substituir Adilson, Elias ou Carioca. O elenco pode ser variado, mas bom e equilibrado, não é não!


Liderança


Uma das grandes características de 2013 foi a liderança dentro e fora de campo do time atleticano. Nos bastidores e no vestiário, Kalil, Maluf e Cuca formavam uma trica de ferro que blindava o time. Todos os expedientes legais e possíveis eram dados pela diretoria alvinegra, a ponto do presidente do Atlético viajar para a sede da Conmebol, no avião da CBF, barrar a arbitragem brasileira que poderia pender em favor do São Paulo nas oitavas de final caseira daquela Libertadores. E, dentro do vestiário, tínhamos Victor, Réver, Léo Silva, Gilberto Silva, Josué, Donizete e Ronaldinho, todos líderes e campeões por onde haviam passado. Quando o bicho começava a pegar em campo, lá estavam líderes que inspiravam os demais a irem além. Mas, desde a conquista da Libertadores, essa magia toda foi se esvaindo. As saídas de alguns, a perda de foco de outros…Hoje, quando olho para o Galo, enxergo menos essa liderança capaz de produzir coisas novas. A perda recente e sentida de Eduardo Maluf foi um baque muito forte. Victor e Fred são os únicos que vejo com essa liderança dentro de campo. É muito pouco!


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

Celeiro de craques: já fomos felizes e sabíamos


A conquista do Brasileirão fica distante quando vemos o Galo desta perspectiva. Já perdemos uma quantidade de pontos que costuma fazer falta lá na frente. Mas, se não for pelo título nacional, que a diretoria e comissão abram o olho para as demais competições. A Libertadores e a Copa do Brasil, recentemente conquistadas por nós, podem voltar aos nossos braços. E deixamos o Brasileirão para lá, ou para o ano que vem, ou para nunca mais. Cansei de mendigar esse amor...


Bruno Cantini/ Atlético
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