Galo e Flamengo: do passado de confrontos polêmicos ao início do Brasileirão 2017

Sábado de futebol. Enfim, começa o Brasileirão! Jogo de abertura tem que ter time de expressão. Estão lá os campeões estaduais de Minas e Rio no gramado do lendário Maracanã. Em campo, alguns dos mais recentes protagonistas do futebol alvinegro. A maioria ainda envergando o manto sagrado das Alterosas. Poucos, vestindo a camisa feiosa do time rubro-negro. Como será que se sentiam Réver e Márcio Araújo ao enfrentarem o Galo?


O primeiro jogo do Campeonato Brasileiro de 2017 alinhou duas das maiores rivalidades do futebol nacional. Os nascidos baby boomers ou geração X sabem do que estou falando. Viveram na pele os grandes confrontos entre Atlético e Flamengo nas décadas de 1970 e 1980. A disputa era tão acirrada que, em 1979, num jogo beneficente entre eles em prol dos desabrigados pela chuva em Minas Gerais, precisaram chamar ninguém menos que Pelé para compor o time rubro-negro.


Acervo ESPN
Acervo ESPN

Seleção do povo


Os nascidos até os anos da brilhantina viram os dois clubes disputarem o título nacional de 80, a vaga para a fase final da Libertadores de 1981 e se tornarem os times que mais cederam jogadores para a mítica seleção brasileira de 1982: Luizinho, Toninho Cerezo e Éder, pelo Galo, e Leandro, Júnior e Zico, pelo Flamengo. E foi justamente nas disputas dos primeiros anos da referida década, últimos anos da ditadura civil-militar brasileira, que fez nascer tamanha rivalidade. As gerações vindouras deveriam conhecer a história. Há literatura e acervo em vídeos de sobra para cada um elaborar sua teoria ou corroborar olhares de terceiros. Imagino que Réver e Márcio Araújo já ouviram falar desses tempos.


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Por isso, antes mesmo da bola rolar no Maracanã, olhava para a telinha da TV e imaginava o que teria sido da história atleticana caso os resultados de outrora fossem menos controversos, polêmicos para dizer o mínimo. Naquele final de ano de 1980, o Galo chegava à sua terceira disputa do nacional, tendo sido campeão em 1971 e vice em 1977 - invicto, registre-se. Logo, o Atlético era uma das forças mais reluzentes do futebol brasileiro. O Flamengo era uma equipe regional vendida nacionalmente pelas emissoras instaladas na ex-capital federal e, por conta da exposição, começava a encorpar a torcida que viria a formar nos anos vindouros. Faltavam os títulos, abocanhados em 80 e 81.


Em 2008, ano do centenário alvinegro, Márcio Araújo defendia a nossa camisa 8. Confesso que, por causa dele, escolhi a 8 no uniforme 2 da coleção comemorativa. Se não era um craque, era pura entrega. Em 2010, chegou aquele que seria o Capitão América atleticano. Não só tenho a camisa dele como está autografada. Vê-lo do lado de lá como capitão do esquadrão urubu me dói feito corte de papel, ardido. Já o querido Massaraújo, esse eu relevo e até, respeitosamente, acho graça.


Amargamos e ressurgimos da Série B para ganharmos o Brasil e o continente. Nossa história foi passada a limpo e a fatura, mesmo que não computados os juros compostos devidos pelo time da Gávea, foi paga em prestações de 6 a 1 seguidas de sequência de vitórias por 4 gols, dentre elas, uma intermediária de 4 a 1 pela Copa do Brasil de 2014.



Assim como no passado, o Galo de hoje tem estrutura necessária para ser do tamanho da sua camisa. O Flamengo, também. Espetáculos como o que vimos na abertura do Brasileirão de 2017, com duas grandes equipes propondo jogo, bolas tiradas em cima da linha, disposição de ambas as partes e entrega física, poderiam ser a tônica deste grande confronto desde sempre. Seria, certamente, um clássico maior que Boca Juniors e River Plate ou Peñarol e Nacional. Dificilmente veríamos um ex-capitão atleticano do lado de lá. Já o processo migratório reverso, imagino que sim. Olha lá o Elias marcando o seu golzinho… No fundo, todo rival sonha um dia gritar Galo na vida.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

'Por favor, Fred, deixa eu gritar Galo por você?'


Arrancamos em busca de mais um título na temporada. O regional já foi para o papo. O ponto conquistado na casa de um dos candidatos a vice em 2017 será fundamental lá na frente, na 38ª rodada. Que apenas a performance da equipe seja a responsável pela nossa celebração ou tristeza no final do ano. Pelo bem do futebol e por uma nova página na história desse confronto de gigantes.