Pode continuar me iludindo, Galo

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Lá vai o Galo América Latina à fora, fazendo bonito e me enchendo de esperanças sem o menor pudor. Meu coração, que anda batendo forte feito chute do Otero, esse Eder Aleixo versão cupê, insiste em querer desarmar um firewall racional que explode na tela da minha consciência toda vez que penso: ‘olha, da última vez que o Galo fez X, foi campeão’.


Todo mundo tem um pouco de superstição. Há quem tenha um perfume da sorte, aquele que, quando sacado e borrifado no cangote, é garantia de uma noite sem 0 a 0 na balada. Do outro lado, há quem já queira dar reset no video game da vida quando, de manhã e ainda sonolento, coloca a meia ao avesso. Prefere nem sair de casa, pois sabe que o dia já era: brigará com o chefe, o PPT travará na hora da apresentação, o escarcéu… Vamos juntando o que parece dar sorte ou azar e conferindo na maquininha da Cielo da nossa existência se a operação é aprovada ou não.


Em dia de jogo do Galo eu não uso nada azul. Pronto, falei. E quando é dia de Libertadores, lá estou eu de manto na firma, para garantir. Afinal, manto do Galo é vestimento de gala! E essa é apenas uma das minhas crendices. Gosto de correlacionar os acontecimentos do presente com os do passado e, quando dão match, logo vaticino: vai acontecer de novo. E a primeira fase da Libertadores de 2017 tem uma série de coincidências que me lembram da campanha memorável de 2013. Vamos a algumas elas?


- Uma equipe argentina e uma boliviana na fase de grupos. 2013: Arsenal e Strongest. 2017: Godoy Cruz e Sport Boys. Match!
- O Galo venceu a mesma equipe, tanto em casa quanto fora, marcando 5 gols. 2013: Arsenal. 2017: Sport Boys. Match!
- Em uma dessas vitórias do Galo marcando 5 gols, 2 deles foram marcados pelo nosso camisa 10 no jogo de volta. 2013: Ronaldinho. 2017: Cazares. Match!
- Vencemos os times bolivianos em seus domínios, mas levamos um gol. 2013: 1 X 2. 2017: 1 X 5. Match!


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Se eu gastar uma meia hora pesquisando fatos da atual campanha e tentar encontrar similaridades com a jornada que vivemos sob o comando de Cuca & Cia Ltda, dá pra forçar bastante a barra. Tudo para fortalecer essa crença de que terá Real Madrid e Galo no final do ano. Cristiano Ronaldo que se cuide, porque o Otero, esse Luan que habla español, vai te pegar.


Olha aí a minha cabeça vulnerável à ilusão de novo…


Tem coisa melhor? Tem! Ver o Galo ganhar, mesmo quando o adversário oferece pouca resistência, como foi contra os bolivianos nesta quarta-feira. Não precisamos entoar todo dia o mantra “Se não for difícil, não é Atlético”. Em um bom drama há sempre o alívio cômico. Vamos aproveitar a classificação razoavelmente encaminhada e preparar o espírito para a fase de mata-mata. No formato extensivo da competição apresentado esse ano, o Galo terá tempo para encaixar melhor seu jogo para quando o adversário for realmente perigoso. Aliás, me lembrei aqui que, na primeira fase de 2013, também passamos com uma certa facilidade… Ó, mais um match?!


Bruno Cantini/ Atlético
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Que siga assim