10 anos do gol de costas: não olhe para trás, Fábio

Você se lembrará para sempre de quando nasceu o seu irmão mais novo, vindo cheio de pompa e circunstâncias tirar o seu lugar de centro das atenções, roubar o colo da sua mãe e as balinhas que seu pai trazia no paletó. E, ainda assim, terá em seu coração a alegria da chegada daquele que seria seu companheirinho de tretas arrumadas na rua ou no recreio.


Estará para sempre gravado em você a primeira noite com a pessoa amada, que viria para propor um caminho de descobertas compartilhadas. A surpresa do toque, os aromas, os sussurros, o brilho nos olhos e o arrepio dos pêlos. Ao final, um sorriso fagueiro e o coração em descompasso.


Lá, na parte nobre da memória, você guardará para sempre o som do choro do seu primeiro filho. Porque choro de filho é o som mais sagrado da natureza. Ele anuncia sua vida, sua fome, sua birra. Em meio à multidão, você é capaz de reconhecer, feito um perdigueiro, o timbre do seu choro e acudi-lo como um super-herói.


E certamente você recordará por toda a sua vida daquele vulto embaçado passando ao largo, o balançar da grama e do estádio, um silêncio ensurdecedor à sua volta como se o mundo inteiro prendesse a respiração ao mesmo tempo. Uma bola, uma meta, um gol. O gol que você jamais viu, pois estava de costas. Mas que tatuou eternamente o seu nome no futebol mundial.



Parabéns, Fábio, pelos 10 anos do gol de costas. O mundo da bola te saúda neste dia tão emblemático para os apaixonados pelo futebol. Porque, por mais inusitados que tenham sido os gols nesses mais de cem anos do esporte, nenhum se compara em requintes de poesia o anotado por Vanderlei em você naquele 29 de abril de 2007.


Você sabe bem, Fábio: as experiências memoráveis têm sempre um quê de dor e emoção. Por isso, não olhe para trás com tristeza pelo gol que te tornou conhecido no mundo todo. Celebre a imortalidade! Até porque, se tinha uma hora para você olhar para trás, era no jogo...