Na raça e na bola, Galo faz partida perfeita e vence Libertad

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Nem sempre é possível ver seu time jogar como em seus melhores sonhos. E ontem eu vi o Galo jogar a partida perfeita. Perfeita para mim, atleticano há 40 anos, acostumado com as penúrias da vida e viciado nessa adrenalina tão atleticana quanto o preto e branco da camisa. Foi perfeita porque foi sofrida, batalhada, mordida. Se tivesse acontecido um quiproquó após o apito final, então, teria sido a obra-prima do futebol alvinegro. Só faltou um toque à lá Leandro Donizete em final de Copa do Brasil contra os rivais citadinos para tornar esse Galo e Libertad um Gaudí do ludopédio nacional.


Vencer os paraguaios por 2 a 0 não é novidade para nós. Mas a vitória atleticana nesta quarta-feira de Libertadores foi diferente. Peculiar. A bola que o Galo vinha jogando nas últimas partidas, sonolenta, burocrática, transformou-se. A pegada foi outra. Não tinha bola perdida para ninguém. Tanto no primeiro quanto no segundo tempo. E esse era um dos gargalos os quais chamávamos a atenção: concentração total durante os 90 minutos e os acréscimos. O futebol pune o distraído, desfere-lhe o competente tá-ligado em quem fica parado. E o time de Roger, que vinha se comportando assim em momentos cruciais, já estava com a nuca vermelha de tanto pescotapa.


Se o primeiro tempo foi pobre de criação e chances reais, façamos uma menção honrosa à entrega do time em campo. E comecemos com o nosso escorpião venezuelano: o cabra, com um chute nota 10 na escala Eder Aleixo de petardo, não abria mão de uma única oportunidade, sempre com muito perigo. Não é nenhuma sumidade - e chega a ser questionado por parte da torcida - mas, na ausência do Luan, Otero é o que mais se aproxima às características do Menino Maluquinho. Otero é um Luan que habla español. Rafael Carioca e Elias protegendo bem a entrada da área e chegando de surpresa para finalizar. Os laterais subindo com consciência e qualidade… E lá atrás, Victor. Que tranquilidade traz o nosso arqueiro. Quando tudo parece desabar, valei-nos bendita tuberosidade da tíbia sinistra!


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

Faltou pouco para o seu gol, mas o que você jogou foi uma enormidade


O segundo tempo foi ainda melhor. A saída de Otero para a entrada de He-Man, que parecia estranha num primeiro momento, deu muito certo. Brigando mais pelo espaço no terço final do campo, empurramos as linhas dos paraguaios e mandamos no jogo. Hora e vez de Fred e Robinho, dupla de Copa do Mundo, festa do futebol. O gol inaugural anotado pelo craque da camisa 7 foi daqueles que justificam tanta qualidade. Proteção, passe e finalização precisos. Maicosuel, que também entrara muito bem desde o começo do jogo, deu lugar a Cazares, que colocou a pá de cal e sacramentou a vitória. Fred, mais uma vez, participando ativamente da jogada, He-Man brigando pelo prato de comida, Cazares empurrando a bola pro gol e garantindo o sacrossanto direito ao vale-festa.


Que eu não esteja enganado. Que não seja apenas a euforia que uma vitória sofrida nos traz. Mas eu fiquei confiante no que vi. Esse Galo joga o futebol que me enche de prazer assistir. E se ainda pode melhorar mais, aí é que esse meu pobre coração não vai aguentar. Que venha a final do Campeonato Mineiro, esse sparring, para nos deixar ainda mais preparados.