Desfile das novas camisas: nota de agradecimento ao Atlético

Eu não vi o desfile. Estou de férias, passeando na região germânica da Bavária. Lugar apropriado, aliás, para se tomar um porre e chorar as mágoas, caso fosse preciso.


Era madrugada por aqui quando o desfile acontecia em Belo Horizonte. Já anunciavam o Chico Pinheiro quando eu desliguei o celular para não ver. Que eu tivesse uma noite em paz de sono antes da nova tormenta que, presumindo pelos tuítes da noite, haveria de vir com força total pela manhã. "Paciência", pensei alto. Problema na vida é doença e morte, o resto eu tiro de letra, quantas vezes for preciso.


E então o dia amanheceu. Liguei meu celular e elas estavam lá, as notificações. Pra mais de vinte. "Começou", pensei. Com a tranquilidade de quem sabe exatamente o que quer, o que espera para si e para o mundo, e que não teme represália, fui checar. E que surpresa linda...


Desta vez não havia ninguém me desajando estupro ou morte, nem me comparando a um câncer. Desta vez era pura alegria, amor, compaixão e alívio na minha timeline. Ainda não sabia exatamente o porquê das comemorações, até que meus olhos se depararem com esta foto.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

De objetificada a abraçada pela bandeira: como deveria ser


Seria essa imagem mesmo verdade? Meio dormindo, meio acordada, vi uma mulher-deusa negra de beleza estonteante vestida pelo manto mais majestoso e protegida pela bandeira mais poderosa de todo mal, amém. Não tinha como não me emocionar. Ainda que os biquínis viessem em seguida, o reconhecimento, o respeito, o orgulho estavam ali. As pazes também.


Depois de um tempo hipnotizada pela imagem, ainda fiquei sabendo sobre toda uma coleção para mulheres, do biquíni ao agasalho. Vi minhas amigas desejando ter dinheiro para comprar cada peça e sorri pelo desespero piadístico delas. A alegria de sermos notadas e consideradas como mulheres torcedoras ia "ao meu mil avô".


Teve de tudo. Teve homens e mulheres lindas, de todas as cores. Teve criança e teve avó. Teve beleza, teve sensualidade, teve orgulho e diversidade. De modo que este texto só tem a agradecer. Ao Atlético, à Topper, à Grupa, ao GaloMarx e a cada um que ouviu, entendeu e colaborou. Hoje eu me senti abraçada pelo Galo e a vida me pareceu linda de novo, alvinegra de tudo.


Seguiremos vigilantes, pois sabemos que conquista nenhuma está garantida no mundo, menos ainda as nossas.


Agora segue o jogo, que a evolução pede passagem. Os que tentarem combatê-la já sabem: não passarão.