Sem erro de arbitragem, Cruzeiro vence Galo e conquista América

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Para um, era realmente final de campeonato. Para o outro, jogo para cumprir tabela. Venceu quem deu real importância à partida desde o primeiro minuto. Afinal, antes mesmo do segundo, o mandante da partida já estava à frente do placar. O descuido na saída de jogo alvinegro pela direita deu campo pro rival fazer seu primeiro ataque. Nem mesmo Thiago Neves, autor do chute que furou a defesa atleticana, acreditou que a bola passaria. “Vou testar a chuteira nova e ver que efeito ela dá”. “Efeito peru”. Falhou feio Giovanni, daquelas que não podem acontecer num Atlético x Cruzeiro.


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Mesmo já atrás do marcador, o Galo mantinha um compasso de espera, aquele roda-bola maroto, sem intensidade, sem alma. Manteve mais de 70% da posse de bola durante os primeiros 25 minutos, inócuos. Robinho e Cazares neutralizados pela esquerda, Marcos Rocha preso na defesa e apenas Otero tentando levar perigo nas bolas paradas.


E o que é a displicência… Justamente num lance de bola parada em favor do Galo o árbitro sacou o cartão vermelho e expulsou um dos nossos: Fred. Fosse o camisa 9 um menino recém subido da base, afoito e nervoso com a atmosfera, eu entenderia. Mas o soco desferido pelo atacante no rosto de seu marcador foi inexplicável. A justa expulsão de Fred desestruturou de vez qualquer estratégia elaborada pelo treinador.


A sorte é que jogávamos contra um time medroso e que não se lançou de vez para cima do Galo. A vitória por um placar mínimo era o suficiente para os comandados do irritadiço Mano. O Cruzeiro, que vinha de empates contra Tombense e Uberlândia, passou a chave na porta e se trancou na cozinha. A troca do inoperante Cazares pelo Luan, ainda no primeiro tempo, fez o time celeste recuar ainda mais.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


O segundo gol cruzeirense, já na etapa final, foi irregular. Um desses que irão colocar na conta dos erros humanos de arbitragem. Contudo, por ter sido validado, influenciou diretamente na vitória cruzeirense. Pois, no final da partida, uma jogada pessoal de Rafael Moura resultou no gol alvinegro, anotado por Elias. O correto seria o empate em 1 a 1.



Mas o Galo só fez por merecer - e recebeu! - o aplauso da Massa presente no estádio nos minutos finais de jogo, justamente com a entrada do He-man. Não que eu quisesse a bagunça de antes. É claro que eu enxergo uma organização nova do Atlético de Roger. É que eu senti falta daquela entrega desmedida, elemento que o camisa 13 do Galo trouxe em seus minutos dentro do campo. Aquele era o Galo de um clássico, o Galo de Pierre e Donizete, que chegavam junto (na maioria das vezes) sem excesso, mas com virilidade. Será impossível ter organização e vibração?


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


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Hoje o Galo levou um “tá ligado”. Deixo mais uma vez o alerta quanto à concentração. Escrevi aqui mais de uma vez sobre isso (veja os links acima). O Cruzeiro sai vitorioso com sua Libertadores debaixo do braço. Tinha mesmo que ser num Primeiro de Abril, o Cruzeiro na Libertadores…


Fred e Giovanni precisam receber as punições cabíveis e as orientações necessárias, respectivamente. E, acima de tudo, precisam ser abraçados pelo time e pela torcida. Erraram, mas podem dar a volta por cima quando estiver realmente valendo. Pois não custa lembrar: o autor do pênalti contra o Tijuana em 2013 foi o mesmo que fez o gol aos 43 minutos do 2º tempo na final daquela Libertadores. O Galo precisa do Giovanni e Fred. E eles, da Massa.