Galo: 100% na tabela; em campo, muito a melhorar

Lá vai o Galo com 8 vitórias em 8 jogos no Campeonato Mineiro. A última aconteceu neste sábado, em Divinópolis, contra o Atlético de Três Corações - 2 a 1 para o time da capital. Os 24 pontos conquistados até aqui garantiram antecipadamente a classificação para a etapa final do torneio regional. No mínimo, já figura entre os dois primeiros colocados, garantindo o segundo jogo dentro de casa na semifinal.


Mais do que a invencibilidade, os comandados de Roger Machado buscam não perder um ponto sequer. Empate é tratado como derrota. E, se até este momento do regional, mantém os 100% na tabela, dentro de campo ainda há muito o que melhorar. As vitórias vêm mais em função da fragilidade dos adversários do que pela qualidade envolvente do futebol alvinegro.


Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro
Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro


O alerta que faço neste texto é: Campeonato Mineiro não pode ser a régua a medir a performance do Galo. Ou alguém já se esqueceu ter sido o América o campeão regional de 2016 e que, ao final do ano passado, estava rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro? O representante de Minas na Libertadores 2017 está oscilando demais durante os 90 minutos de jogo! Alterna triangulações eficazes e posturas modernas de jogo com momentos de completo apagão, como se esquecessem de todo o posicionamento treinado e jogadas ensaiadas. A perda de concentração, já alertada em textos recentes, continua ocorrendo, permitindo que modestas equipes como o Tricordiano tragam dificuldades maiores do que se projetaria vendo a diferença dos elencos e estrutura.


ESPN FC | A concentração separa o Galo de novos títulos


Tomamos sufoco do time da cidade de Pelé! Giovanni, que vem fazendo partidas brilhantes e é peça imprescindível ao Atlético nos últimos 5 anos, falhou. Mas o seu erro no momento do gol adversário não teria sido tão sentido se a turma do capitão Marcos Rocha tivesse jogado o que sabe. Intensamente. A desculpa do calor escaldante se esgota ante a constatação de que o sol que arde em um, queima o outro. Ou seja: o Galo não pode entrar em campo de salto alto, seja o adversário que for.


Preocupa-me muito pouco o torneio regional. Para mim, vejo-o como possibilidades de colocar o que se treina na Cidade do Galo em situação real de jogo. O que tem me incomodado é exatamente essa desconcentração que, inclusive, foi vista na estreia alvinegra na Libertadores, contra o Godoy Cruz, na Argentina.


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Temos um grupo muito qualificado. Tecnicamente, um dos melhores da América. Como Roger desenvolverá o jogo coletivo e, muito importante, o engajamento coletivo de suas estrelas, é que trará para a sede de Lourdes os canecos que estão em nossa alça de mira. O futebol costuma punir quem não o leva a sério. Hoje, diante do Tricordiano, 10˚ colocado no regional, o acaso nos salvou do empate. E isso significa!