Qual história o Galo vai contar na Libertadores?

Desde 2013, temos vivido a ansiedade da estreia do Galo na Libertadores. Esse sentimento de inquietude nos tira o sono, aumenta a fome, estimula o intestino... Variamos do medo da não classificação para a fase de mata-mata à convicção do título. Somos mesmo uma torcida bipolar!


Em 2013, começamos a jornada em casa, contra o então todo poderoso São Paulo. Eles tinham Rogério Ceni, Paulo Henrique Ganso e Luís Fabiano. Além de Lúcio, ex-capitão canarinho, na zaga. Era um time de respeito. Nós, um time de renegados. Renegados estrelados, diga-se. De Cuca pé-frio a Ronaldinho Gaúcho, “ex-jogador em atividade” e uma série sem fim de classificações.


Além dos paulistas, ainda tínhamos os bolivianos das alturas de La Paz e os argentinos de Sarandi. Galo, São Paulo, The Strongest e Arsenal. Todos times famintos de título. O Galo, famintos de volta por cima.


A primeira fase de 2013 foi o prefácio e os 6 primeiros capítulos de uma história contada em 14. Os mais lindos. Da água servida a Ronaldinho por Rogério Ceni à invasão atleticana em Buenos Aires. Da participação improvável de Serginho na vitória atleticana a 3 mil metros de altitude ao “quando tá valendo, tá valendo” de R10.


2013 nos estragou. Depois da campanha que deixou o Galo como 1˚ colocado geral da fase de grupos, nunca mais fomos os mesmos. Faz sentido! A confortável posição de sempre jogar a segunda partida em casa foi importante para o título daquele ano. Mas nos fez acreditar que seria sempre assim.


Não temos Ronaldinho Gaúcho e Jô. Não nos acompanham Tardelli e Bernard. O General e o Pitbul se foram. Cadê o Réver?


Não, amigo alvinegro, não será. E 2013 jamais se repetirá, na forma e no conteúdo. Outros títulos virão, estou certo. Como aquele, daquela forma, não. Logo, o empate de hoje em 1 a 1 contra o argentino Godoy Cruz em sua casa não me faz acreditar que tudo esteja perdido. O time não estar voando e as peças parecerem fora do encaixe perfeito não me turvam a vista. Na quinta participação consecutiva do Galo na Libertadores, espero um enredo diferente. Se o título vier, que possamos conta-lo com outras palavras.


A nova Libertadores permite aos clubes evoluírem. Oferece o tempo. Basta que Roger e companhia encontrem o caminho, pois ainda parecem perdidos. Se tínhamos homens desejosos de resgatar sua dignidade como atletas, em 2017 precisamos de atletas conscientes, concentrados e com fome. Com fome de escreverem seus nomes em nossas histórias para serem lembrados para sempre.