Em data histórica, Dragão adia seu rebaixamento

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Quebrando expectativas, Atlético vence e deixa o descenso para depois


Dia 12 de novembro. Essa será uma data que os atleticanos vão rememorar durante anos. Foi nesse dia, há um ano atrás, que brindamos uma das mais brilhantes campanhas pela Segunda Divisão com o merecidíssimo título de campeão brasileiro. Além do jogo em si, tomado de fortes emoções e uma saraivada de gols, temos os nomes de atletas que – mesmo vivenciando uma única temporada pelo time – conseguiram se transformar em verdadeiros ídolos.

O primeiro aniversário dessa conquista deveria ser vivido de um modo mais festivo e retumbante, mas não foi esse o caso. Nas redes sociais, tivemos várias manifestações de atleticanos – e do próprio técnico Marcelo Cabo – repostando as imagens de uma campanha e de um futebol poucas vezes testemunhado em terras goianas. Além das imagens, vieram os comentários carregados de uma certa melancolia, pois nessa mesma data poderíamos sacramentar nosso retorno para a mesma competição nacional jogada em 2016.


Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Um ano depois do título, temos que encarar um Olímpico esvaziado



O tom dessa melancolia não só se manifestou nas bolhas virtuais, mas também no público que teve a coragem de comparecer no Estádio Olímpico naquela tarde abafada de domingo. Com 338 pagantes, conseguimos fazer o pior público de todo o campeonato brasileiro. Público este que visualmente contrastava não só em seu quantitativo, mas pelas expressões dos que estiveram naquele mesmo estádio há um ano atrás. Não bastando aquele estranho clima fúnebre, tivemos que lidar com um jogo mais estranho ainda.

O Sport veio com a missão de fugir da mesma degola que nos parece tão certa. Se eles não contavam com vários de seus principais jogadores, nós também entramos em campo igualmente desfigurados. Não bastando os desfalques inerentes ao campeonato, a diretoria passou a adotar a estranha estratégia do “desmonte antecipado”, que resolve “presentear” os jogadores que possivelmente irão para outros clubes com a dispensa antecipada. Ao meu ver, essa é a maior prova de que nossos dirigentes resolveram jogar a toalha nesse ano.

Ainda bem que, entre o futebol jogado e o futebol pensado, existe um vão dotado por uma série de imprevistos que explicam nossa própria paixão por esse esporte. Foi então que tivemos um jogo fora do script, onde o Sport fez uma pressão ligeira no primeiro tempo, fazendo com que o Dragão jogasse defensivamente dentro dos seus próprios domínios. Dado o perfil inicial da partida, parecia que não conseguiríamos devolver aquela dolorosa goleada sofrida na Ilha do Retiro e passaríamos a só falar do ano que vem por aqui.

No entanto, a estranha proposta de jogar como visitante dentro de casa acabou dando certo. Realizando contra-ataques bastante pontuais e se valendo da rara inspiração do Diego Rosa, construímos a vitória que adiou o nosso descenso. Ao fim, com o resultado de 2x0, o misto de alegria e tristeza continuou mesmo depois do jogo. Alegres por não sermos obrigados a associar uma data tão importante a um rebaixamento. E tristes, por ser muito difícil acreditar que a chance matemática de ficar na série A se transforme em mais quatro vitórias seguidas.

Passado o jogo, miramos a vindoura disputa contra o Botafogo. Um time que tem um orçamento muito apertado, mas que ainda assim produz resultados fantásticos, provenientes de uma unidade e uma força de vontade que não foi possível se consolidar quando, há um ano atrás, nos sagramos campeões da Segundona. Independentemente do resultado alcançado, que o espírito de luta do rival carioca nos sirva de exemplo para alçarmos outras perspectivas para a temporada que vem.