Em noite de Vinicius Jr., Dragão se perde em suas próprias limitações

Gazeta Press
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Mesmo com um primeiro tempo ruim, Vinicius Jr. faz a diferença e supera o time do Atlético Goianiense


Dois times, duas crises. Pela segunda rodada do returno, Flamengo e Atlético Goianiense tinham o objetivo distintos para a última noite de sábado. O rubro-negro carioca precisando comprovar que as oscilações de desempenho seriam página virada com a chegada do novo técnico. Já o rubro-negro goianiense, vindo de uma vitória em casa, buscando desbravar um caminho que negue a Segunda Divisão como destino certo para 2018.

Mesmo jogando fora de casa, o Atlético Goianiense poderia almejar coisa maior na Ilha do Urubu. O Flamengo se apresentou com um time alternativo, visando a preparação para o difícil confronto contra o Botafogo, pela Copa do Brasil. Até achei o Rueda meio equivocado na escalação, ao colocar Rafael Vaz na lateral e incorporando o contestado Márcio Araújo para compor o meio de campo de sua nova equipe.

O primeiro tempo foi uma reedição de uma parcela considerável das partidas que o Atlético fez no início do campeonato. O time apresentava um comportamento defensivo consistente, mas não conseguia elaborar jogadas de contra-ataque. Até os dez primeiros minutos de partida, a equipe atleticana literalmente não atravessou com a bola para o campo de ataque. Mais à frente, se não fosse a atuação de Felipe, o jogo poderia ter contornos trágicos.

Além dos méritos defensivos da equipe, vale aqui destacar que os homens de ataque do Flamengo não tiveram um papel memorável. Geuvânio e Everton Ribeiro tiveram atuações bem medianas, comprovando que terão de trilhar um longo caminho no elenco flamenguista. Nessa conta até o Vinicius Júnior entra, por ser um jovem que ainda atua com a sombra de um contrato milionário junto ao Real Madrid.


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Sofrendo forte marcação individual, Walter não conseguiu repetir o bom futebol das últimas partidas


Ao atingirmos a etapa complementar, a possibilidade de um empate parecia ser bastante razoável. Vale lembrar que Walter havia destacado isso na entrevista dada no intervalo, ao corretamente apontar que um único ponto teria grande valia para uma equipe que precisa superar um fosso de pontos para sair da lanterna. Contudo, a noite seria marcada pelo cumprimento de uma promessa.

O flamenguista sabe que a veneração por Vinicius Júnior tem hora para acabar e o atacante sabe disso também. Sendo assim, os minutos de atuação dele compõem o desenvolvimento de uma competição paralela. Cada drible feito e cada gol marcado por Vinicius tem a função de comprovar que o Real Madrid fez uma escolha acertada. Já para o flamenguista, esses dribles e gols servem para nutrir o modesto orgulho de seu time ter revelado um craque.

Mas ainda que isso seja uma obviedade, faltou o comando da equipe atleticana alertar seus marcadores para essa tensão que rodeia os jogos de Vinicius Júnior. Franzino e habilidoso, ele foi capaz de vencer William Alves na corrida, mesmo estando uns dois ou três metros atrás do nosso marcador. Foi um vacilo que nos faz retornar a todos os problemas de formação da equipe, que de tão repisados, já não precisam ser explicados.

A feitura do primeiro gol foi um divisor de águas profundo naquela partida. Se não me engano, essa foi a primeira vez que Vinicius Júnior atuaria como o homem responsável por resolver uma partida do clube que o revelou. Mesmo ele sendo ainda um guri de dezessete anos. Dali para frente, a promessa que veio de São Gonçalo se transformou em realidade. Não por acaso, também marcou o segundo gol.

Chegando a essa altura do texto acabei não falando nada sobre a atuação dos nossos homens de frente. Mas haveria como? Com Walter anulado por Réver, Jorginho naquela sonolência de sempre e Andrigo sem qualquer tipo de traquejo, não tem o que falar mesmo! Resta aceitar que alguns jogadores, mesmo sabendo jogar futebol, não chegam a ser atletas. Deve até ser por isso que contratam alguns jogadores por 164 milhões de reais e outros não.