Atlético-GO: Guilherme, João Pedro e a questão da isonomia

Divulgação/Corinthians
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João Pedro e Guilherme Borges deveriam ter sido colocados em uma mesma negociação?


Nessa semana o Atlético Goianiense anunciou a ida de dois jovens da base para os domínios do time de Itaquera. Um deles é Guilherme Borges, um volante de apenas dezessete anos. O outro, mais conhecido pela torcida, é João Pedro, que atuou bem em alguns dos jogos do Campeonato Goiano e depois não teve mais nenhuma oportunidade efetiva no elenco principal do clube.

Ao fazer essa negociação, temos uma série de vantagens que parecem ser muito interessantes, mas que ao mesmo tempo escondem algumas nuances que deveriam ser levadas em conta. Hoje, por ser mais novo, Guilherme tem muita coisa para aprender. Em tese, o fato dele ser dois anos mais novo que João Pedro já aponta para um nível de maturidade e capacidade técnica que precisa se desenvolver muito ainda.

Nesse sentido, ir para a base do Corinthians pode ser uma experiência muito enriquecedora para o jovem atleta. A simples possibilidade dele conviver com jogadores de meio do quilate de Gabriel Girotto, por exemplo, já faz com que a tentativa seja válida. Isso sem contar que estamos falando de um clube que hoje apresenta uma cultura de jogo que consegue ser defensiva e, ao mesmo tempo, muito eficiente quando vai ao ataque.

Além disso tudo, vale lembrar que na realidade atual do Atlético – no que diz respeito ao meio defensivo – existem jogadores que vêm se destacando bem na função. Igor e Paulinho injetaram uma qualidade nessa faixa do campo que é indispensável para que possamos entender a melhora observada nos últimos jogos. Se estes ficam para a próxima temporada, as chances de Guilherme chegar ao time profissional seriam bastante reduzidas.

Depois de falar tudo isso do Guilherme, olho para a trajetória de João Pedro nesse ano e concluo: não é a mesma coisa. João atuou entre os titulares no Campeonato Goiano, conhece o elenco profissional, fez gols e ganhou a atenção da torcida. Ao mesmo tempo, dada a falta de assertividade dos nossos homens de frente, não é de hoje que muitos se questionam como o Diego Rosa se mantem na condição de titular da equipe.

Sendo tão grave a carência do ataque, seria natural que houvesse uma tentativa de encaixar João Pedro em algumas partidas do campeonato brasileiro. Ainda mais desconfiando que não haverá nenhuma nova contratação de jogador para o resto do ano. Ora, se ninguém vai chegar para resolver, e os atacantes estão mal das pernas, qual seria o impeditivo para que o próprio campeonato fosse uma experiência valiosíssima para João Pedro?

Aposto que, na atual conjuntura do futebol brasileiro, um golzinho marcado ou uma boa atuação de 45 minutos na Primeira Divisão renderia uma especulação muito maior do que o valor prometido pelo Corinthians. Contudo, em vez de conduzir essa aposta da forma mais natural possível, decidiu-se pelo empobrecimento de um setor do time que já vive na corda bamba há muito tempo.

Não bastando isso, surge a tal “lista de jogadores corintianos” que o Atlético poderia acessar para a disputa da próxima temporada. A lista me parece um completo engodo, pois o fato do jogador ter um contrato com o Corinthians não significa absolutamente nada. Se for avaliar de perto, a maioria dos jogadores ali presentes forma apenas um bando de remanescentes/apostas ruins oriundos da desconstrução da equipe que venceu o Campeonato Brasileiro em 2015.

Sendo assim, a negociação pareceu parcialmente interessante. Isso tudo porque não se atentou para o princípio de isonomia, tão comumente citado no Direito Contemporâneo. Ao colocar João Pedro e Guilherme num mesmo pacote, o clube acabou tratando de forma igual jogadores que vivem momentos muito diferentes. Se atentassem para os conselhos do bom e velho Aristóteles, teriam “tratado desigualmente os desiguais”.