Chapecoense 1 x 2 Atlético Goianiense: existe justiça no futebol

 Sirli Freitas/Chapecoense




Sirli Freitas/Chapecoense

Ao lado de Luiz Fernando, Diego Rosa foi um dos nomes mais importantes na partida contra a Chapeconese


A roleta de emoções dessa temporada não cessa. Nesse domingo, o time de Atlético chegou na Arena Condá para fazer uma partida muito importante. A equipe vinha de uma boa atuação contra o Botafogo, mas a falta de efetividade no ataque nos impôs mais uma derrota jogando em casa. Chegando em Chapecó, a expectativa era a de conquistar um empate mediante um adversário embalado por uma classificação épica na Copa Sul-americana. Também instável no Brasileirão, a Chape deveria vir com tudo para cima do Dragão devido a conquista recente.

Deveria, mas não veio. O primeiro tempo foi completamente dominado pelo rubro-negro e, mais uma vez, nossa capacidade de desperdiçar chances claras de gol transformavam o jogo numa tortura com requintes de crueldade. Mesmo chegando, dominando a partida e jogando com intensidade, parecia quase certo que iríamos perder jogando bem. A desconfiança passou a se tornar certeza quando, numa bola parada, a Chapecoense fez um gol com as bênçãos de uma marcação atrapalhada de Roger Carvalho.

Ficando atrás do placar, o Atlético Goianiense acostumou-se a fazer duas coisas nesse campeonato: ou se encolhia e se negava a apertar o adversário, ou reagia de forma completamente desordenada. Mas parece que as manias do time estão desaparecendo e desconfio que essa mudança tenha a ver com o comportamento de João Paulo Sanches no comando da equipe. Voltamos como se não tivéssemos levado o gol e a consistência da proposta de jogo acabou trazendo bons frutos.


A ideia de manutenção do esquema de jogo se deu nas próprias mexidas de Sanches para a etapa complementar da partida. Jonathan e Luiz Fernando entraram para fazer o mesmo papel que fora desempenhado por Niltinho e André Castro no período inicial da partida. Entre os dois que entraram, se destacou Luiz Fernando, que fez uma atuação primorosa no setor esquerdo. O menino estava tão agudo que me lembrou os tempos de infância, jogando Winning Eleven, quando colocávamos o Roberto Carlos como atacante.


A primeira grande “ignorância” de menino Luiz veio com o gol de empate. Dominou, bateu o marcador com grande facilidade, chegou na linha de fundo e deixou o Diego Rosa com o gol inteiro à disposição. Justamente o criticado Diego Rosa, que tinha sido completamente execrado pela torcida por conta do futebol ruim e o comportamento nada cuidadoso em entrevistas. Mais uma vez, fica aqui registrada a personalidade forte de Sanches, que parece não se abalar com aquilo que possam dizer sobre suas opções de jogo.


O domínio da partida continuou a ser regido pela entrega de Luiz Fernando. O chute de fora da área e a explosão da bola no travessão eram as provas cabais de que muita coisa iria acontecer naquele jogo fora de casa. E a esquerda continuava a ser a região onde os jogadores do Atlético escolheram para pressionar a Chapecoense. Daí veio aquele lance impressionante, que começa a pressão de Andrigo, a antecipação de Jorginho e o cruzamento de Diego Rosa. Ao fim, a cabeçada de Gilvan para o fundo do gol era o desfecho justo para a partida.

Aquela corrida de braços abertos de Gilvan não parecia o desabafo de um jogador, mas de uma equipe que está cansada de não transformar ofensividade em vitória. Os três pontos vieram, mas a situação ainda não é simples. Faltam dois jogos para o encerramento do primeiro turno, e uma pontuação abaixo dos quinze pontos pode fazer da fuga do rebaixamento uma missão completamente impossível. Depois desses dois últimos jogos, fico só pensando como seria essa equipe se estivesse atuando em conjunto desde o primeiro mês desse ano.

Na próxima semana, teremos um dos jogos mais complicados de todo o campeonato. Ao lado de Flamengo e Palmeiras, o Grêmio é uma das poucas equipes que possuem condições de tirar o posto de campeão brasileiro do time do Corinthians. Sendo assim, os tricolores gaúchos virão com tudo, pois sabem que o título depende das vitórias contra os clubes que estão na segunda metade da tabela. Por outro lado, parecendo respirar novos ares, o Atlético Goianiense pode encerrar o turno buscando um pequeno facho de luz no fim do túnel.