Perder na lama: nada poderia ser mais didático

Gazeta Press
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Equipe goiana errou demais na encharcada Ilha do Retiro


Jogar em um campo encharcado, na chuva, em meio a lama. Nada poderia ser mais simbólico para representar o que vem sendo a temporada do Atlético Goianiense. Nunca pensei que uma goleada poderia vir a ser tão merecida. Não adianta dizer agora que o a condição do gramado tornou o futebol impraticável na Ilha do Retiro. A condição de jogo era ruim para as duas equipes e, do mesmo modo que o jogo era feio para gente, ele também era inviável para a equipe do Pofexô Wanderlei.

Os lances daquela partida são uma bela alegoria de cada um dos erros que se acumulam desde o fim do ano passado. Você pode ter ficado muito irritado ao ver Walter errando um gol que não seria perdido nem em nossa lendária Copa Flávio’s. Mas errar um gol na cara nunca vai ser pior do que ver uma diretoria que não planeja a sua equipe com antecedência. Manter uma base de uma temporada era tão óbvio como aquele lance. E quando você não age de acordo com aquilo que é esperado você abre mão de um Magno Cruz para ficar com um... Walter.

Estar ciente desde outubro que você poderia subir para a primeira divisão e não fazer praticamente nada é algo que não se explica. Celebrar um passado de grandes achados, de apostas que deram certo, mas não conseguir amarrar bons contratos com jogadores que estão dentro dos seus domínios é algo inadmissível. Parece que você está em outro lugar, que você está dormindo enquanto os atacantes do time adversários trocam passes na frente do seu gol, tal como Mena e Patrick fizeram no primeiro gol do Sport.

Daí você entra em janeiro e começa a fazer um saldão, chega na xepa e sai procurando aquele monte de verdura que sobrou depois que todo mundo pegou o que havia de melhor na feira. Começando do zero, você pega um monte de caras estranhos e testam ele durante o triste campeonato estadual. A gestão de elenco então vira um tipo de temporada em Vegas, onde você acredita que vai ganhar muito apostando pouco. O fracasso vem e aí você começa a ver que está tão atrasado quanto o Marcão na cabeçada de Diego Souza. 2x0, Gol do Sport!

Tomados esses dois gols, no jogo e na temporada, disseram que havia como recomeçar. Que os erros nos dão a grande oportunidade de fazer algo diferente. Mas existem pecadores e pecadores, meus amigos. Existem os pecadores fortuitos e existem os pecadores deliberados. O primeiro falha por sua pobre condição humana. Já o segundo tem ciência da gravidade de seus erros, mas continua a praticá-los. Sendo assim, tomamos mais um gol de bola aérea e a diretoria resolveu fazer um novo elenco para o campeonato brasileiro. 3x0, Sport!

O Campeonato Brasileiro começou e a sequência de absurdos passou a ter seus sintomas manifestos em partidas execráveis e derrotas que não teriam a menor justificativa. Mal completamos o primeiro semestre e o torcedor se sente abatido, sem saber de onde tirar forças para justificar para si mesmo o grito e o incentivo a um time que não consegue atingir as condições mínimas para a prática do futebol. Anestesiados, não sabemos mais o que fazer. Tal como Kléver, ao ver a bem aplicada cobertura de André. 4x0 para o Sport!

Após o jogo, ainda me dei o trabalho de ficar escutando os comentários sobre aquele misto de futebol e lama. Quase nenhum comentarista falou sobre o Atlético, porque não há mais muito o que se dizer para uma temporada tão desastrosa. Do pouco que foi dito, um desses comentaristas afirmou que não dá para se esperar mais nada, caso não haja um fato novo. De novo temos três milhões de reais pela venda do Everaldo. Dependendo do que será feito com esses recursos, podemos ter um fato novo. Ou não!