O time do Atlético Goianiense pode repetir o feito de 2010?

Divulgação/Atlético Goianiense
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O comportamento volúvel do time atual faz com que o torcedor fique pensativo e saudosista



Ontem, os limites daquilo que o atleticano poderia viver nesse campeonato brasileiro extrapolaram todos as possibilidades. Não conseguimos encaixar uma sequência invicta desde que trocamos de treinador. Apesar dos pesares, há uma parcela de atleticanos que acreditam que a permanência é possível, fazendo sempre uma comparação com nossa campanha de 2010. Essa é uma luz que aparece no fim do túnel, ainda que tenhamos de vivenciar a dura realidade que consiste em assistir os jogos do Dragão.

O paralelo feito entre as rodadas de 2010 e 2017 pode até animar, mas a atuação em campo não nos deixa o mínimo espaço para que isso ilumine nosso presente. Naquele time de 2010, tínhamos atletas que estavam no clube há um tempo considerável. Havia entrosamento. Estamos falando de uma época que envolvia nomes como os de Márcio, Gilson, Pituca, Elias e Anaílson. Nos dois anos anteriores, éramos a equipe com mais gols marcados em todas as divisões. Oitenta e quatro gols em 2008; e mais setenta e três em 2009.


Divulgação/Atlético Goianiense
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Em tempos tão difíceis, como não sentir saudade desse 'monstro'?



Vendo esse tempo de fartura aliado a uma equipe minimamente estruturada, fica difícil predizer que podemos repetir o feito épico da temporada de 2010. Vendo o que o time apresenta hoje, alguém aqui seria capaz de dizer que poderíamos arrancar um empate para nos salvarmos do rebaixamento? Daquele mesmo modo que conseguimos contra o Vitória, em pleno Barradão? Até hoje me lembro de Juninho driblando o goleiro deles, quase fazendo o gol. A gente sofria, mas sabia do empenho de cada um daqueles que estavam em campo.

Mesmo não tendo os dados precisos daquela temporada, tenho a lembrança sobre como aquela equipe me irritava pela grande quantidade de gols perdidos. Lembro até de ver um jogo e comentar com um amigo: “Cara, esse time do Atlético parece que faz gol por amostragem”. Claro que aquilo era uma piada despretensiosa, mas hoje se transformou no contraste de um presente em que ficamos a choramingar por uma determinada bola que poderia ter decidido a partida. Hoje, a oportunidade de gol parece mais um animal em extinção.

Pior de tudo é perceber que essa gangorra de emoções se dá pelo fato de termos uma equipe técnica que não consegue definir seus titulares em pleno mês de julho. A vaga de goleiro já é questionada pela segunda vez nessa temporada. A dupla de zaga ainda não se definiu e sua última versão tem apenas dois jogos disputados. O nosso setor de criação depende de um jogador com uma oscilação de rendimento gritante. E o ataque parece mais o Mestre dos Magos, que aparece e desaparece sem a menor explicação.

Mediante todos esses fatores, acho complicado termos a ideia de que a temporada de 2010 possa vir a ser editada nesse campeonato. Assim como em outras áreas profissionais, sete anos fazem muita diferença quando falamos sobre o futebol da atualidade. Já temos exemplos e mais exemplos, talvez tendo o ‘7x1’ como um dos seus maiores representantes, de que o planejamento é um elemento fundamental para que qualquer clube sobrevivia no futuro. E, nesse sentido, não é só esse time que precisa repensar suas atitudes. São também os gestores, são os homens que cuidam dessa instituição chamada Atlético Goianiense.

A derrota desse domingo foi uma fronteira. Jogar dois tempos de forma tão distinta não pode ser apenas creditado ao fato de sermos ‘um carro que se conserta enquanto anda’. Esse time precisa buscar uma vontade que contrarie a verdade dos fatos, que desminta o cansaço que o torcedor atleticano sente por conta de atuações tão assimétricas. Precisamos ser uma mesma equipe ao longo de noventa minutos e uma equipe que se convença de todas as suas possibilidades dentro de campo.

Em 2010, tínhamos fechado o 1º turno com menos de 20 pontos. No returno, conseguimos nos manter fazendo 25 pontos, totalizando os 42 pontos que nos mantiveram na elite. Sendo assim, independente de quem venha a nos liderar, torço para que essa seja a projeção, caso o esse time pretenda ficar na série A. Resumindo a missão: devemos finalizar esse turno com mais de 15 pontos e, no returno, buscar quatro pontos a cada três partidas. Se isso vai me fazer lembrar do time de 2010, não interessa. Quero o Dragão fazendo um campeonato digno.