São Paulo 2 x 2 Atlético Goianiense: o empate certo na hora errada

Gazeta Press
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Recém-chegado ao time, Niltinho foi um dos destaques contra o time do São Paulo.


O jogo contra o São Paulo teve um enredo completamente distante de todas as previsões que o torcedor atleticano poderia vir a fazer. A derrota em casa contra o Vitória tinha se tornado um duro golpe e as expectativas de pegar um tricolor mordido pela permanência no Z-4 eram elementos mais que suficientes para temer os noventa minutos que se seguiriam no Morumbi. Não bastando isso, a incerteza do resultado também se dava por conta das várias alterações feitas na equipe, fruto da ação de um Doriva que ainda tateia o próprio elenco.

Até o início da partida, o futebol ruim do São Paulo era uma notícia distante para mim. Uma fábula que poderia ser explicada pela entrada de um técnico que nunca fora técnico na vida e que, só porque foi um jogador muito dedicado, acharia que a vida na beira do gramado seria uma simples reprodução daquilo que ele viveu dentro das quatro linhas. De fato, tinha uma dificuldade tremenda em associar futebol ruim a um grupo que conta com nomes como Cueva, Lucas Pratto e Rodrigo Caio.

Mas o meu ceticismo não precisou nem de vinte minutos de bola rolando para que aquele simples relato sobre o futebol ruim do São Paulo se transformasse praticamente em uma nova lei da física newtoniana. Ainda que jogando em casa, com um público considerável e um técnico novo, o conjunto tricolor era um amontoado de peças gravemente desarticulado e sem a menor vitalidade. Os jogadores são-paulinos fizeram do primeiro tempo a própria alegoria da 'montanha que pariu um rato'.


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Pela primeira vez, consegui dimensionar o quão ruim é a fase do São Paulo


Com mais de 70% por cento de posse de bola, nosso vizinho de Z-4 fez somente uma finalização correta para o gol. Em contrapartida, não poderíamos falar muita coisa também, já que a pouca permanência da bola com os pés se refletiu em nenhum chute certo contra o gol tricolor. Mas aí entra o fato de estarmos jogando fora de casa e que esse respeito excessivo poderia ser justificável para um grupo que atuava em conjunto pela primeira vez. Contudo, a apatia do São Paulo me fez ter uma ponta de esperança inexistente até aquela noite de quinta-feira.

Mas esperar ousadia do Doriva é algo meio complicado, meus caros. O trabalho do técnico já é amplamente questionado pela torcida e, talvez vendo um jogo tão medíocre, ele poderia comemorar o empate sem gols como um dos seus maiores feitos profissionais nessa temporada. Além disso, vale lembrar que antes da partida, nosso volante Igor disse que a proposta da equipe seria a mais modesta possível, que jogaríamos ‘por uma bola’, tal qual nossos adversários costumam fazer em nossos domínios.

O jogo continuou bem feio na etapa complementar, até que o São Paulo conseguiu uma falta perigosíssima na entrada da nossa área. A bola explode na forquilha e, por mero acaso, Lucas Pratto se esborrachou para cima da segunda bola e acabou convertendo para os tricolores. O gol foi tão horroroso que me lembrou o futebol do Abuda. Daí, o Doriva começou a fazendo duas alterações que buscavam mudanças de desempenho, colocando Paulinho e Everaldo, sendo que o último assumiria a função de nove e provocaria um recuo de Walter.

A alteração de posição fez com que o comportamento ofensivo da equipe melhorasse bastante e, nisso, conseguimos descobrir um gol de fora da área no chute certeiro de Niltinho, que não só fez o gol, como também me parece ter cravado uma vaga de titular nesse time. A novidade me agrada muito, porque isso faz com que as entradas de Luiz Fernando – sendo ainda um jogador em formação – possam ser feitas de forma mais pontual.


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Felipe precisa urgentemente aprimorar seu posicionamento para defender chutes de longa distância


O momento era de evidente crescimento do time atleticano, mas um novo vacilo de Felipe fez com que o tricolor retomasse acidentalmente a frente no placar. Já é o segundo chute, de fora da área, no meio do gol, que o nosso goleiro aceita. Não acho que isso já deve colocar sua titularidade em cheque, mas esse tipo de vacilo é inaceitável mediante ao conjunto de problemas que já estamos vivenciando no campeonato. Em um instante inoportuno, produziu-se uma falsa sensação de equilíbrio numa partida que estava sendo nossa.

A prova desse domínio não se comprovou só naquele gol humilhante que o Everaldo aplicou na defesa macambúzia do Morumbi. No fim do jogo, tivemos uma nova oportunidade que não se confirmou porque Walter recebeu um passe errado, que o impediu de dar um tapa na bola que poderia ter reeditado o gol do Niltinho. Ao fim, o ponto não nos tira da lanterna, mas faz com que o torcedor rubro negro retome as esperanças e volte para o Estádio Olímpico. Creio que esse foi um empate certo, mesmo que na hora errada.