Atraso, previsibilidade e limitação: os ‘dotes’ do Atlético Goianiense na temporada

Quinze pontos disputados, um conquistado. Está posto o atual resultado de Doriva como técnico do Atlético Goianiense. A dureza desses números começa a fazer com que o diretor Adson Batista finalmente reconheça que o planejamento desse ano foi mal executado. Não ter um time formado no começo do campeonato é algo que arrebenta qualquer clube. Para isso, basta ver que o problema sofrido pelo Atlético Goianiense é praticamente o mesmo que o São Paulo sofre. Como resultado, os dois habitam a parte debaixo da tabela.

As nossas deficiências já não são nenhum mistério para nenhum dos torcedores atleticanos. Contudo, na medida em que a vida o campeonato corre e nossa situação se agrava, a possibilidade de achar novas peças e testá-las vai se tornando cada vez mais remota. Hoje, o efeito dessa falta de planejamento se deu já nos quarenta e cinco minutos iniciais de partida. Sem Jorginho em campo, o time jogou de forma horrorosa, insistindo no setor direito do primeiro ao último minuto dessa etapa.


Divulgação/Atlético Goianiense
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Assumindo a função criativa, Luiz Fernando deu pouca resposta em campo


Desse modo, ainda que não seja uma equipe com grande superioridade técnica, o Vitória achou o seu lugar na partida sem maiores problemas. Teve mais finalizações para o gol e quase o dobro de passe corretos, apesar da posse de bola equilibrada entre as equipes. O fator casa foi claramente anulado e, aos trinta e sete minutos, veio o primeiro gol da equipe baiana. Enquanto isso, a grande mudança de postura do time era insistir em bolas alçadas na área, lembrando o ‘Muricybol’ que um dia sagrou o tricolor paulista.

Paralelamente, tivemos que lidar com a falta de inventividade de Doriva, que não se limitou em preservar o esquema de jogo e os mesmos jogadores para o confronto. No segundo tempo, o sujeito que é pago para mexer na postura de um time ao longo de uma partida, teve a sensacional ideia de trocar um lateral por outro lateral e colocar um homem de ataque no lugar de outro homem de ataque. Doriva segue sua jornada no universo humorístico, fazendo substituições que só fazem sentido quando você precisa preservar um resultado.


Divulgação/Atlético Goianiense
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A atuação destacada de Walter na partida foi fruto de uma tarde de pouquíssimo futebol


De fato, as trocas surtiram efeito, pois tiramos Luiz Fernando assumindo a criação de forma improvisada e um Eduardo que, infelizmente, sempre se comportou como Eduardo. Entre as novas peças estava Walter, que pareceu um pouco mais magro ou que parecia estar mais magro aos olhos de torcedores cansados de ver um time previsível e displicente. Pressionado e questionado, Walter mostrou grande disposição de jogo e chegou a esboçar uma certa empolgação nos quase 2.900 espectadores presentes.

A mim já não interessa mais saber se Walter jogou bem ou jogou mal pela equipe do Atlético Goianiense. O prejuízo que ele causou ao clube já está feito. Um sujeito que chega ao Dragão como principal jogador da temporada e arremessa três meses de recuperação física no ralo, não merece nenhuma nesga da minha atenção. Ainda que tendo destaque neste jogo, só o conseguiu porque o time não havia realizado nada e, na etapa complementar, voltou a vivenciar o ‘tudo ou nada’ que se repete rodada após rodada.


Divulgação/Atlético Goianiense
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Imagens que trazem paz: Diego Rosa no banco de reservas


Sendo um técnico bem antenado com as próprias misérias da equipe, Doriva também resolveu demorar quase vinte minutos para fazer aquilo que deveria ter feito no intervalo. Foi aí que nosso letárgico comandante colocou o atacante Niltinho no lugar de Silva, que fazia a função de volante. Para não dizer que tudo foi só tragédia, graças à pressão que a torcida fez durante a semana, tivemos o imenso prazer de ver Diego Rosa mantido no banco de reservas, também conhecido como ‘lugar do qual ele nunca deveria ter saído’.

Com essas modificações, o comportamento ofensivo da equipe teve uma melhora bastante significativa e o gol de empate chegou pelos pés de Andrigo, em uma segunda bola originada de uma cobrança de escanteio. Por mais que a pressão do time deixasse o torcedor bem mais empolgado com a partida, a jogada de origem do nosso gol é uma prova de que esse não era um bom dia. Com o empate, a pressão abriu caminho para a desordem, principalmente no desenho tático que a equipe deveria ter sem a bola nos pés.


Divulgação/Atlético Goianiense
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O gol de bola parada é mais um indício que a equipe criou pouco jogando contra o Vitória


Fatidicamente, o gol que conferiu a vitória da equipe baiana foi filho desse destempero da equipe atleticana. Em uma bola roubada de Walter – que ainda não tem a menor condição física de fazer uma simples recuperação de jogo – o Vitória mais uma vez converteu na segunda e última vez que chegou até o gol de Felipe. Como grande símbolo de uma tragédia, as limitações físicas da nossa maior contratação parecem se encaixar perfeitamente com as limitações impostas por um planejamento que simplesmente inexiste.

Há quem ainda caia no autoengano de dizer que poderíamos ter vencido a partida naquela cabeçada de Roger Carvalho. De fato, poderia ter sido a bola que transformaria radicalmente os destinos daquela partida. Mas esperar que uma bola ou uma jogada solucione um problema que se arrasta desde janeiro, é negar as bases daquilo que o futebol contemporâneo exige de qualquer clube. Não há mais solução para aquilo que deveria ser resolvido com antecedência. Essas são nossas limitações e vamos carregá-las até o fim desse ano.