Atlético Goianiense 1 x 1 Santos: pra virar circo, só faltou a lona

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Abuda em campo: só pode ser piada, né?


A partida de ontem ficou entre o espetáculo circense e a ópera bufa. Em ambos os tipos de espetáculo temos a recorrência de ações absurdas, que geralmente pretendem gerar o riso entre os seus espectadores. Jogando contra o Santos, a equipe rubro-negra começou a partida com um show de ilusionismo que já está ficando meio manjado. Em suma, o truque consiste em fazer um bom primeiro tempo, mostrando muita disposição tanto para atacar quanto para defender. Iludidos, chegamos a acreditar que a sorte estará ao nosso lado.

E a sorte parecia estar mesmo, já que Andrigo praticamente fez um milagre ao converter a segunda bola gerada por mais um pênalti mal batido pelo Everaldo. Pode vir aqui desfiar um rosário inteiro dizendo que o Vanderlei é a última bolacha do pacote quando o assunto é goleiro, mas não dá para aliviar quando seu batedor principal erra dos pênaltis seguidos. Feito o gol e mesmo tendo menor posse de bola, o esquadrão atleticano conseguiu segurar o placar.

Chegado o segundo tempo, o time veio inalterado e isso já me causou incômodo. Isso porque o Marcão Silva já tinha levado um cartão amarelo e, sabendo que o Santos viria para cima, acreditei que seria muito arriscado deixar um primeiro volante amarelado em campo. Jorginho também tinha um amarelo, mas como ele é um jogador de criação, nem me preocupei com esse fato. Contudo, como o espetáculo tinha que continuar, o juiz veio assumir a condição de palhaço ao dar um segundo amarelo que tirou de campo o nosso principal criador.

Mesmo que adversa, a situação não era das piores. O time do Santos está muito longe daquele que fora no ano passado e, se não acordar, cai logo na Libertadores. No entanto, empolgado com a palhaçada feita pelo árbitro, o Doriva resolveu entrar na disputa para ver quem conseguia fazer a piada mais sem graça. Para tanto, volta a insistir no obtuso Diego Rosa e, de quebra, incrivelmente ressuscita Abuda, que jazia nas profundezas do plantel que fracassou no dificílimo Campeonato Goiano.

Como o torcedor atleticano não é bobo, não riu nenhum pouco dessa sequência de trapalhadas. Irritado, estava ciente que uma série de equívocos tão primários só poderia resultar na reação daquele apequenado time paulista. Anunciada a tragédia, foi das canelas de Abuda que saiu a roubada de bola que resultou no gol de Thiago Maia. Até daria para colocar o gol na conta do Felipe, mas eu não consigo crucificar um dos nossos melhores jogadores na competição. Errou, mas ainda tem muito crédito.

Na esteira dos absurdos, ainda tivemos dirigente atleticano ameaçando torcedor com uma penca de seguranças particulares. Exercendo seu direito de forma plena, alguns torcedores presentes começaram a cobrar os cartolas da equipe, pedindo um monte de coisas que faltam desde o começo desse difícil ano. Contudo, talvez acreditando que o time seja sua propriedade privada, alguns desses dirigentes ameaçaram expulsar e marcar os revoltosos torcedores. Se no circo tudo gira em torno do exagero, sobrou covardia por parte dos habitantes das tribunas.

Finalizado o jogo, pensei que voltaríamos a recobrar o juízo e encarar a realidade. Contudo, no pós-jogo, mesmo o espetáculo sendo tão ruim, Doriva decretou que ‘o show deveria continuar’. Questionado sobre a insistência com o Diego Rosa, nosso técnico teve a coragem de dizer que faz uma ‘avaliação fria’ (será que ele quis dizer racional?) ao insistir nesse absurdo e que achar o recém-chegado atacante medíocre é algo muito relativo. ‘Uma questão de opinião’, conforme ele mesmo afirmou.

Depois dessa pérola, comecei a ficar bastante preocupado com o comportamento daqueles que estão à frente de nossa equipe. Seja fora ou dentro do campo. Estando tão à vontade para realizar e proferir tantos disparates, temo que o esforço para se fazer piadas infelizes se torne um tipo de mania. Se repetida com frequência, a mania vira loucura. E quando a chegarmos a esse ponto, o circo pode se transformar em hospício.