O Atlético Goianiense sofre de ‘Igordependência’

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Com boa movimentação pelo campo, Igor dá grandes contribuições ao setor ofensivo


Até agora, o Atlético Goianiense conquistou seis pontos no Campeonato Brasileiro. Percebendo o contexto dessas conquistas, vemos que existem dois elementos em comum para os ganhos até então alcançados. O primeiro deles é a transferência dos jogos para o Estádio Olímpico, que coincidentemente aconteceu com a saída de Marcelo Cabo e a tentativa de se desenhar um novo esquema de jogo para a equipe. O segundo é a entrada de Igor como o segundo volante da equipe titular.

É bem verdade que ele vem atuando desde o começo da competição, mas considero aqui a partida contra o Bahia como um divisor de águas que nos permitiria dizer que há um outro perfil em operação no time, principalmente após o jogo contra a Ponte Preta, quando conquistamos nossos três primeiros pontos. Antes, por conta da presença de Walter, o time tinha uma transição ofensiva muito mais lenta. Em diversas situações, o fato dele ter menor mobilidade e segurar mais a bola, dificultava a execução de um jogo mais acelerado e vertical.

Além disso, temos que admitir aqui que a função criativa do time também sofreu grandes problemas com a utilização de Andrigo e Jorginho. A atuação simultânea de ambos teve bons frutos para a equipe, mas devemos notar que eles também possuem sérios problemas. De um lado, Jorginho carrega o fato de ter com uma relação desgastada com a torcida e ser muito oscilante de uma partida para outra. Já Andrigo sofre com o fato de ser uma ‘eterna promessa’, fazendo com que cada jogada acabe tendo um peso para além do normal.

Mediante essa combinação de instabilidade e pressão, os dois jogadores se notabilizam pela grande dificuldade na condução da bola para o ataque. A insegurança gerada pela situação complicada da equipe, somada as limitações inerentes de cada jogador, fez com que o desenvolvimento de jogadas que acionassem nosso último homem de frente se tornassem cada vez mais escassas. Contudo, a atuação de Igor acabou trazendo um desafogo para o setor criativo, já que ele tem a facilidade de conduzir a bola até os setores mais avançados.


FootStats
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Um demonstrativo da atuação de Igor e Jorginho em campo


Para se ter uma noção mais clara sobre essa tese, podemos realizar um comparativo inicial do mapa de calor gerado por Jorginho nas partidas contra a Ponte Preta e o Avaí. Nessas duas partidas, a ação polivalente de Igor em diferentes porções do campo, fez com que Jorginho atuasse de forma mais concentrada pelo setor esquerdo. No terceiro gol contra a Ponte, a importância dessa parceria ficou muito clara, quando após uma roubada de bola, Igor deu o passe para que Jorginho construísse a jogada que resultou no gol de Luiz Fernando.

Por meio do exemplo dessa jogada e os mapas de calor, podemos ver que o setor criativo do nosso time ainda sofre com uma carência muito forte. A falta de peças de reposição impede o Atlético romper as linhas de defesa adversária, resultando na falta de comunicação entre o meio e o ataque. Se mal temos condições de sermos competitivos com nossos titulares, a coisa se agrava ainda mais quando temos que acionar os atuais reservas.

Nos jogos contra o Atlético Paranaense, Palmeiras e Vasco, a falta de Igor ficou bastante evidente, provando que esse é uma posição ainda carente no elenco rubro-negro. Sem maiores alternativas de contratação entre as equipes que disputam a Primeira Divisão, vemos como essa será uma questão de difícil resolução. Caberá à rede de contatos que rodeia Adson Batista sondar melhores opções que estejam ‘escondidas’ nas equipes que atuam na série B e C do Campeonato Brasileiro. Até aí, dá-lhe ‘Igordependência’.