Parece faltar pouco, mas falta muito ao Atlético Goianiense

Gazeta Press
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Durante boa porte da partida, o Dragão cumpriu sua proposta de jogo defensivo


Analisar uma partida de futebol depende de uma quantidade de variáveis muito extensa. Não adianta olhar só para o resultado final, não adianta se agarrar aos números, não adianta somente torcer para que a equipe ganhe de qualquer jeito. Entender o revés ou a conquista de mais três pontos, deman a consideração de fenômenos de ordem sincrônica. E, a partida de ontem, contra o Palmeiras, foi uma daquelas boas oportunidades para que isso ficasse bastante visível.

A aplicação tática defensiva do Atlético Goianiense foi primorosa durante uma boa parte do jogo. Quando atravessamos os primeiros 25 minutos do primeiro tempo, o clima de tensão se avolumou na cabeça dos jogadores palmeirenses. A cada bola cortada ou marcação antecipada, a chiadeira dos torcedores dava o clima para que, à espera de um contra-ataque ideal, o esquadrão atleticano pudesse fazer um golzinho.

Como jogamos de forma muito recuada e sem as presenças importantes de Jorginho e Igor, tivemos que forçar nossos atacantes a buscarem a bola em zonas mais intermediárias do campo. Nesse sentido, duas coisas ficaram visíveis: a discrepância técnica entre nossos jogadores reservas e titulares é muito grande e, por isso, chegar ao gol adversário se tornou um grande desafio.

Apesar disso, a sonolência do Palmeiras acabou dando grandes oportunidades para a nossa equipe. No primeiro tempo da partida, tendo praticamente só trinta por cento da posse de bola, conseguimos ter duas boas chamces de gol. Em uma delas, o Everaldo de um baile no Edu Dracena, só que anulou a beleza da jogada com um chute para fora. Se não fosse um nove, até entenderia o erro de conclusão. Mas com uma proposta de jogo tão cirúrgica, o desperdício acaba sendo imperdoável.


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Doriva ainda insiste em algumas alterações que não fazem o menor sentido


Quase no fechamento da etapa inicial, aquele terrível momento de bobeira voltou a assombrar a nossa defesa. Em um cruzamento em que a jogada era toda do Eduardo Bauermann, o nosso jovem zagueiro entregou a bola que definiu o placar. Se não fosse aquilo ali, a tônica da etapa complementar poderia ter sido bem diferente. Com o placar desfavorável, tivemos que abrir a equipe por uma questão meramente protocolar. Principalmente quando, mais uma vez, o Doriva inventa de priorizar a entrada de um fenômeno da natureza chamado Diego Rosa.

No retorno da partida, o Palmeiras ameaçou mais do que antes e daí a atuação primorosa de Felipe acabou sendo um grande destaque dessa partida. Um dos melhores momentos foi quando ele conseguiu dar uma invertida em Guerra, que tentou aplicar um gol de cobertura em nosso arqueiro. Ao contrário do restante da defesa, não houve momento algum em que ele se desligou do jogo. Do mesmo modo se deu com o Viçosa, que só não garantiu o empate por conta de uma grande defesa do Fernando Prass.

Em vinte minutos de atuação, Júnior Viçosa teve uma disposição em agredir o adversário que parece faltar aos nossos atacantes quando atuamos fora dos próprios domínios. Apesar de ver uma média de crescimento positiva na equipe com a entrada dos novos jogadores, é hora de levar mais a sério o revezamento das nossas peças de ataque. Pelo visto, seria interessante pensar na retirada de Everaldo na passagem de um tempo para o outro. Não porque esteja mal, mas ele parece ser um jogador que não costuma crescer ao longo de jogos difíceis.

Na prática, ficou evidente que temos uma dificuldade enorme para jogando no território alheio. Em termos defensivos, não há como ver esse plantel de jogadores render mais do que ele nos oferece atualmente. Se for para buscar novos patamares, precisamos de mais jogadores. Da mesma forma se dá em nosso setor de criação. Os nossos titulares já não possuem atuação regulares. Sem eles, a missão fica ainda mais dura.

Enquanto outros nomes não surgem para se fechar nosso inacabado elenco, podemos ir ao Rio de Janeiro determinados a buscar pontos no Estádio São Januário. O Vasco da Gama ainda não se acertou durante o campeonato. Estão até parecidos conosco: ou perdem, ou ganham. Essa pode ser uma brecha para que possamos voltar um pouco mais tranquilos para Goiânia. Seja com o primeiro empate, seja com a primeira vitória fora de casa.