Atlético Goianiense 0 X Atlético-PR 1: um time diferente para cada tempo de jogo

Divulgação/Atlético Goianiense
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Jogando em casa, Doriva não soube interceder na parte tática e emocional do elenco


Oitava rodada do Brasileirão: o Atlético defendia a invencibilidade no Olímpico, o time estava embalado e buscava se afastar ainda mais da zona de rebaixamento. Esses seriam os três ingredientes para que o jogo contra nosso xará paranaense fosse um dos mais interessantes dessa temporada. Ainda mais que teremos jogos seguidos fora, contra dois times (Palmeiras e Vasco) que tem grande poderio atuando em seus domínios.

Mesmo que jogando melhor, o problema do nosso time ainda são os tais lapsos de atenção. Foi uma dessas bobeiras incompreensíveis que nos fizeram tomar aquele gol contra o Avai, mas nós já tínhamos aberto o placar e convertemos as demais oportunidades. Coisa semelhante aconteceu contra o Furacão, com a diferença de que eles aproveitaram primeiro do nosso erro e nós não convertemos as vindouras oportunidades de gol.

Ao todo, das sete finalizações corretas, cinco foram produzidas durante o primeiro tempo da partida. O time se movimentou bem e parecia reproduzir à risca tudo aquilo que vem desenvolvendo desde que voltou ao Estádio Olímpico. Chegado o intervalo, tínhamos desperdiçado um pênalti, o placar não era nosso, mas a certeza de que os gols apareceriam era quase um consenso entre os poucos torcedores que compareceram à partida.

Mas não foi o mesmo time que voltou do vestiário. Eu não sei bem ainda esboçar qual é o perfil emocional do Doriva enquanto treinador, mas acho que a conversa no vestiário deve ter sido das mais amenas possíveis, já que tínhamos mandado bem até aquele momento. Nos primeiros dez primeiros minutos da etapa complementar, a autoconfiança do torcedor campineiro permaneceu intocada. Andrigo e Breno Lopes sinalizavam: calma que o gol já vai acontecer!

Só que a saída prematura de Igor foi muito prejudicial à equipe. Atuando como um volante de mais chegada ao ataque, ele é uma peça fundamental para que o rendimento dos nossos homens de criação se amplie. Não bastando isso, o jogo pelas laterais sofreu muito pelo setor direito, pois André Castro teve um desempenho bem abaixo do que ofereceu nas outras partidas como titular da equipe.


Divulgação/Atlético Goianiense
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Em segundo tempo apático, Walter acabou sendo o 'grande destaque' do setor ofensivo


Além desses dois outros problemas, ainda tivemos um Breno Lopes distante do que costumava fazer. Em meio a tantos contratempos, era hora de o técnico agir para que pudéssemos mudar a postura em campo e retomar a ofensividade dos primeiros quarenta e cinco minutos. Contudo, Doriva resolve colocar Diego Rosa e Walter para que algo de diferente acontecesse naquele jogo completamente estagnado.

Disse ‘contudo’, porque não vejo qual seria a razão aparente para que ele não colocasse o Júnior Viçosa para dar uma maior movimentação para um time que não conseguia mais romper as linhas de defesa do adversário. Diego Rosa não teve competência para se firmar no Bahia e já vira uma primeira opção ao setor ofensivo? Além disso ser ilógico, o próprio desempenho do jogador só reforçou que essa decisão não teve o menor sentido.

Já sobre a entrada do Walter, tive que aguentar meus amigos dizendo que eu pegava no pé do jogador que – em vinte e pouco minutos de jogo – conseguiu fazer duas assistências e meteu um chute a gol. Em meio a tanta falta de atitude, ter o Walter em destaque só demonstra o quanto os outros jogadores estavam mal. Em situações em que a bola gira com mais rapidez ou time atua de forma mais verticalizada, é simplesmente impossível imaginar Walter atuando com a mesma relevância.

O problema dele nunca foi e nunca será relacionado ao que consegue fazer com a bola nos pés. O problema é ver Walter como uma boa opção para a construção de jogadas com uma movimentação tão ruim. Apesar da habilidade, ele só tem a opção do passe. Walter não faz nenhuma de jogada um contra um, pois ele mesmo sabe que tende a perder esse tipo de disputa. Logo, ainda que o tapa que ele dá na bola seja bonito de se ver, isso não resolve em nada a vida de um time que estava atrás no placar.

Frustrado e pouco inspirado, o Atlético Goianiense foi desistindo de jogar pressionando os defensores paranaenses. Tanto que, nos últimos minutos, vários torcedores já foram deixando as cadeiras do estádio. Perdendo pontos tão importantes, a equipe agora se vê obrigada a buscar uma recuperação em partidas bem mais desfavoráveis. Enquanto isso, Walter desfrutará o privilégio de uma pausa para resolver o sobrepeso que já deveria ter resolvido.