Cruzeiro 2 x 0 Atlético Goianiense: jogar na defesa não é jogar defensivamente

Gazeta Press
Gazeta Press

Com uma posse de bola baixa, Atlético Goianiense sofreu muito para conter o ataque cruzeirense


Passada a vitória maiúscula contra a Ponte Preta, o time do Atlético sonhava com um embalo mediante um Cruzeiro em crise. A equipe entrou quase igual ao jogo de quinta, tendo só que realizar uma mudança na volância, com a entrada de Silva no lugar de Igor. O jogo começou muito bem, sendo que a parte defensiva teve uma atuação muito interessante, deixando o Cruzeiro sem muitas opções para atacar. Não bastando tamanha aplicação, tivemos uma noite muito inspirada do goleiro Felipe.

Já que a equipe vivencia uma nova formação, o bom desempenho defensivo do primeiro tempo poderia ser visto como algo normal para um grupo ainda sem clara identidade. Contudo, a superioridade da posse de bola do Cruzeiro acabou sendo um problema que se acumulava ao longo do tempo. Por não termos um ataque com jogadores de grande aproveitamento, a necessidade de uma posse de bola maior se mostra como uma demanda imprescindível para não ficarmos tão ameaçados durante a partida.

Se analisamos de forma isolada, o Andrigo perder quatro posses de bola e acertar apenas um de oito cruzamentos, por exemplo, não aprece algo tão grave. Contudo, para um time que teve somente 36% da posse de bola, esse são números que incomodam bastante em uma partida de noventa minutos. Tanto que a sensação de segurança que o Felipe dá ao torcedor, com o desenrolar do tempo, se transforma em algo muito incômodo. Nenhum goleiro merece ser tão acionado, mesmo que jogando fora de casa.


Gazeta Press
Gazeta Press

Mesmo atuando de forma segura, Felipe deveria ter vida um pouco mais tranquila no jogo


Desse modo, a aplicação tática dos nossos homens de defesa acaba virando algo completamente improdutivo. Era a bola chegar no meio de campo e nosso setor de criação não conseguia acionar Jorginho, Breno Lopes ou Everaldo, no ataque. Se a defesa atleticana atuou muito bem, podemos dizer que a defesa cruzeirense foi ainda melhor, já que conseguia destruir nossa transição ofensiva já na faixa central do campo. No fim, o primeiro gol chorado e o gol de pênalti são a própria tradução do que foi a partida.

Apesar dos pesares, o acúmulo dessa nova derrota não pode ser visto como um retrocesso em relação ao futebol que foi apresentado na última quinta-feira. A evolução defensiva atleticana já era vista desde a partida contra o Corinthians, sendo que um dos maiores avanços se mostra na atuação de Eduardo Bauermann, que acertou mais de oitenta por cento dos passes e realizou dois desarmes. Tal rendimento foi muito próximo ao que foi apresentado por Roger Carvalho, atestando que a antiga indefinição da dupla de zaga parece ser coisa do passado.

Sem a capacidade de construir jogadas, podemos ver que Igor fez muita falta no time titular e que ainda precisamos de um outro meia de criação para superar o comportamento instável de Jorginho. Ao fim, mesmo com a entrada de Luiz Fernando e Walterson, a nossa situação permaneceu inalterada. Particularmente, nessas situações adversas, acredito que seria hora de arriscar mais a entrada do João Pedro, que é um nome que realmente precisa de ganhar mais minutos como profissional.

No frigir dos ovos, vemos uma evolução tímida da nossa equipe. Eu até aceito que o jogo defensivo seja a proposta que predominará no time atleticano até o fim do ano. Contudo, essa defesa fechadinha e aplicada não vai resolver tudo. Time defensivo precisa ter um contra-ataque efetivo, onde a leitura de jogo dos meias e laterais antecipe a reorganização das duas linhas de defesa do Cruzeiro ou de qualquer outro adversário. Mas é isso aí, nosso carro ainda está em conserto, andando e ainda há vagas a serem preenchidas nessa equipe.