Atlético Goianiense 3 x 0 Ponte Preta: um jogo de reencontros e despedidas

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Em noite inspirada, Everaldo foi decisivo para que o Dragão conquistasse sua primeira vitória


Depois de quatro derrotas e a saída de Marcelo Cabo, o jogo desse quarta-feira teria uma função ritual importante para o time e a torcida. Ainda que sem tempo para a entrada de Doriva, a equipe precisava se reinventar de algum modo e, no meio da difícil situação, sobrou para o interino João Paulo Sanches mediar a transição para que uma nova filosofia de trabalho seja implementada no Atlético Goianiense.

Provavelmente, sem a pressão dos técnicos que precisam dormir e acordar pensando em sua própria permanência, João Paulo parece ter se enchido da coragem daqueles que não têm nada a perder na vida. E isso ficou claro na hora que se confirmou a escalação do time para o jogo contra a Ponte Preta: Ricardo Silva, Eduardo e, principalmente, Walter foram sumariamente sacados entre os titulares.

Como o início da equipe era completamente desanimador, ninguém adentrou as portas do Estádio Olímpico com a expectativa de que uma grande transformação surgiria no horizonte. Vieram os primeiros quinze primeiros minutos e o equilíbrio da partida não chegou a indicar nada de novo. Ver o time do Atlético jogando de dez à quinze minutos em condições de igualdade não era novidade. O problema eram os apagões entre esses breves momentos de futebol, onde todos os outros adversários nos aplicavam os primeiros gols na partida.

No entanto, aos dezessete minutos, o quase gol de Andrigo indicava que estávamos rompendo essa tímida barreira dos quinze minutos. Logo em seguida, o chute perigosíssimo de Jorginho decretava oficialmente que alcançávamos uma nova marca. Naquele momento, comentei com um amigo: ‘Essa foi a melhor jogada de ataque em todo o campeonato’. O time era bem mais leve, aguerrido e atento às possibilidades na construção de jogadas. Se terminássemos a partida com aquela postura, já teria valido a pena sair de casa, independente do placar.

O domínio deixava de ser mero lapso para se tornar a própria realidade daquele primeiro tempo. Aquilo era um reencontro com o bom futebol que já parecia algo distante e fazia do torcedor rubro-negro um sujeito um tanto quanto melancólico. A manutenção do bom futebol acabou sendo agraciada pelos dois gols de Everaldo. Finalmente era possível ver uma estatística digna de um time que joga a primeira divisão: foram seis finalizações para a conquista daquela valiosa vantagem.

Daí chegou o segundo tempo e um outro desafio se colocava para o time atleticano. Pela primeira vez, teríamos que administrar um placar tranquilo e favorável. A Ponte, por sua vez, sob a responsabilidade de um velho freguês chamado Gilson Kleina, veio para cima do Dragão com uma linha ofensiva composta por: Lucca, Lins, Renato Cajá e Emerson Sheik. Ele ainda tinha a opção de colocar o Negueba, mas preferiu não arriscar. Por que será, né?

Estavam dados os ingredientes para que a etapa final virasse aquele dramático jogo de ataque contra defesa, onde um golzinho da Ponte pudesse fazer daquele resto de tempo um verdadeiro tormento. Mas a grande habilidade de Andrigo e o despertar de Jorginho nos credenciaram a manter o placar segurando a bola lá na frente, no campo adversário. Sem fechar o time, João Paulo só fez substituições equivalentes, colocando Júnior Viçosa no lugar de Breno e Luiz Fernando no lugar de Andrigo.

Com coragem e inteligência transbordando em campo, a sorte acaba sendo um outro elemento que ajuda um time que sabe o que querem. Em uma confusão de arbitragem, Luiz Fernando acabou sacramentando a vitória em uma jogada completamente irregular. Nessa hora, pensei que só faltava colocar o jovem João Pedro em campo, para manter nossa posse de bola no setor ofensivo. No entanto, o interino acabou contrariando a minha ideia, colocando o Walter em lugar do mito/monstro Everaldo.

Eu achei a ação meio conservadora, e provavelmente motivada por uma intenção de administrar o ego infantil do Walter. Já não é de hoje que ele se mostra emocionalmente instável e, por isso, achei que aquilo era um modo de ‘fazer uma média’ com a suposta maior contratação da temporada. Na prática, a entrada de Walter parecia ser uma grande ‘conclusão necessária’ para essa noite de bom futebol.

Em duas bolas levemente esticadas pelo setor direito, Walter falhou miseravelmente no alcance e nem mesmo esboçou uma tentativa de recuperá-las. A partir disso, a entrada dele parecia um manifesto para cada um dos torcedores e para o recém-chegado Doriva. A tese era tão clara quanto cada um dos holofotes do Estádio Olímpico. Hoje, do jeito que se encontra, o futebol de Walter é muito pouco para quem deseja jogar bem na elite do futebol brasileiro.

Sendo assim, Doriva chega sem ter que enfrentar nenhuma espécie de constrangimento para preservar nosso mais dispendioso atacante no banco de reservas. O questionado atleta, por sua vez, ao invés de se portar da forma mais humilde possível, cometeu o disparate de confirmar que está sendo sondado por times do exterior. A respeito desse evento, finalizo o relato de hoje dizendo o seguinte: se for para reencontrar o bom futebol, jamais hesitarei em dizer adeus para um sujeito tão intransigente quanto você, Walter.