Por que o atleticano clama por Viçosa?

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Em tempos incertos, muitos torcedores desejam a permanência de Viçosa


No ano de 2017, o desmonte da equipe campeã da série B foi o pior golpe sentido pelo torcedor atleticano. A cada jogo, a cada contratação incompreensível a dimensão desse golpe foi sendo sentida de forma mais exata na carne de cada um desses torcedores. A atuação no campeonato goiano foi muito ruim e o novo desmonte da equipe era mais um dos desdobramentos dessa novela mal roteirizada. Nem passaram três rodadas do Brasileiro, e já somos aquela equipe que não desperta o elogio de nenhum único comentarista esportivo.

O sintoma mais óbvio dessa situação é a cornetagem. Contudo, existe um outro sintoma ainda mais profundo nesse quadro desanimador, e o nome desse sintoma é Júnior Viçosa. No campeonato goiano, foram vários os torcedores que se incomodaram com o seu rendimento, ficando muito irritados com o grande número de oportunidades de gol perdidas. Nesse meio tempo, o jovem João Pedro apareceu e a posição do atacante sofreu o seu primeiro abalo.

Veio depois a contratação de Walter e, retornando ao campo em um dos últimos jogos do Goianão, a reação da torcida acabou sendo inesperada: em pleno Estádio Olímpico, o nome de Viçosa foi gritado pelos torcedores. Eu confesso que, na hora, fiquei simplesmente sem entender aquilo que testemunhei. Inicialmente, cheguei à conclusão de que existiria uma enorme diferença entre o torcedor que fica clamando nas redes sociais e aquele que vive o calor do jogo. Mais à frente, entendi que o buraco era mais embaixo.

Começadas as competições nacionais, tivemos a oportunidade de comparar o desempenho de Walter, pelo Campeonato Brasileiro; e o de Viçosa, pela Copa do Brasil. Nesses cinco jogos, percebemos uma situação nada simples. Walter tem o refino da técnica, mas não tem a velocidade alguma. Já Viçosa, mesmo não sendo um primor na distribuição da bola, oferece uma disposição física que produziu mudanças importantes no comportamento da equipe e na criação de situações de gol.

Defrontado com esse dilema, a reação quase inconsciente do torcedor atleticano é a de bradar contra a chance de Viçosa não ter o seu contrato renovado. Ao meu ver, gostando ou não do futebol dele, esse tipo de coisa é muito compreensível. Afinal, o ataque é o setor mais carente de toda essa equipe e a maior contratação para o setor – mesmo que os indícios fossem evidentes – não conseguiu ganhar a confiança daqueles que, jogo após jogo, se sentem mais carentes dos gols e vitórias que marcaram nossa história recente.

Com mais de três anos de casa, a saída desse velho conhecido para outro clube deveria ser vista como algo completamente corriqueiro para os torcedores atleticanos. Ele aqui esteve, fez um bom trabalho e agora busca outras oportunidades no mercado da bola. Em tempos de futebol moderno, três temporadas é quase uma declaração de amor eterno. No entanto, com um planejamento cada vez mais atabalhoado, não entendemos porque a diretoria não se antecipou no caso de Júnior Viçosa.

Hoje, incomodado com uma equipe esfacelada, o torcedor é quase forçado a gritar: ‘Fica, Viçosa!’. Sinceramente, espero que essa narrativa tenha final feliz para o clube e a torcida atleticana. Talvez esse jogo de empurra na renovação do contrato seja sinal de que venha algum nome melhor para o ataque. Mas com uma equipe sem identidade, até o torcedor mais avesso ao futebol de Viçosa, não tem mais tanta convicção de que devêssemos buscar um outro nome para o ataque do Atlético Goianiense.