Atlético Goianiense, um dragão sem poder de fogo

Gazeta Press
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Com a vantagem do placar, o Corinthians não teve muito problema para conter o Dragão


Desde que o campeonato de pontos corridos foi implementado, percebemos que as equipes projetam suas metas em curto prazo. Não raro, elas fazem uma análise dos seus desafios de três em três jogos, estipulando uma cota de pontos que precisam ser ganhos para que a situação seja confortável dentro da competição. No caso atleticano, essa primeira trinca se fechou com o jogo contra o Corinthians, depois de enfrentar Coritiba (fora) e Flamengo (casa).

A cota mínima deveria ser a de conseguir três pontos e, no máximo, cinco, dado o grau de dificuldade da sequência encarada. Mesmo tendo perdido os dois primeiros jogos, o torcedor compareceu no Serra Dourada convencido de que poderia sonhar com essa cota mínima, buscando uma vitória contra o Corinthians. Principalmente depois do último confronto pela Copa do Brasil, onde perdemos, mas finalmente testemunhamos a atitude de jogo esperada desde o começo dessa temporada.

Nos primeiros quinze minutos, a impressão era de que a mesma determinação de quarta estaria presente em campo, com um jogo disputado e sem nenhum time tendo algum tipo de superioridade. Mas essa possibilidade de um jogo aberto para os dois lados acaba se esfacelando na medida que, diferentemente de seus adversários, o Atlético não converte seu domínio de jogo em possibilidade de gol. Não por acaso, os dois chutes ao gol desse período só saíram dos pés corintianos.

Em termos emocionais, isso faz com que toda e qualquer equipe não se sinta ameaçada pelo Atlético Goianiense. O time tem o Dragão como mascote, mas não tem nenhum poder de fogo. Não bastando isso, a inconsistência defensiva continua sendo o elemento surpresa que resolve a vida dos nossos adversários. Dessa vez, foi um vacilo medonho do Everaldo – que tão bem tinha se portado contra o Flamengo – que permitiu a triangulação de bola que resultou no gol de Rodriguinho, o único gol da partida.

Depois disso, não há muito o que dizer do jogo. Parecia que, se você deixasse a bola parada no centro do campo, nenhuma das equipes iriam fazer algo de interessante. Com uma disciplina defensiva militar, o Corinthians estacionou dois ônibus em campo. Aquelas duas linhas de quatro manjadas que fizeram essa mesma equipe levar o título paulista desse ano. Sendo essa uma situação de jogo muito previsível, só restaria ao Atlético se lançar a uma insistente luta pelo famigerado gol de empate.

Mesmo Marcelo Cabo mexendo corretamente, o Corinthians conseguiu ser superior ao ataque atleticano, que só conseguiu ter uma posse de bola razoavelmente melhor com as boas intenções de Andrigo, Bruno Pacheco, Walter e Júnior Viçosa. Mas como boa intenção não vira gol, o ‘ônibus estacionado’ do Corinthians foi deixando o jogo cada vez mais modorrento. Voltamos a ter algo parecido com futebol somente nos últimos quinze minutos de jogo. Ainda que precisando do empate por quase todo o tempo, o Dragão só se ligou para isso no fim.


Footstats
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Alguns dos números que explicam a falta de objetividade do Dragão


Ao fim da partida, os números acabam mostrando como a objetividade de jogo é o que conta. Em termos gerais, a posse de bola, a quantidade de passes certos, a realização de cruzamentos e os desarmes foram quase os mesmos entre Atlético e Corinthians. Contudo, mesmo fazendo a mesma quantidade de finalizações dos paulistas, só fizemos um terço delas com direção ao gol. Em contrapartida, o Corinthians acertou mais da metade de seus chutes, sendo coroado com o golzinho que equivale aos três pontos que ainda não temos.

Passada a partida, fica claro que o nosso atual problema ofensivo não se resume à questão técnica. Marcelo Cabo ainda não conseguiu fechar uma proposta ofensiva que tire o melhor de suas peças. É cada vez mais evidente que o posicionamento de Walter ainda não está bem resolvido. Além disso, parece que esse esquema precisa de algum modo abrigar jogadores como Andrigo e Júnior Viçosa. Por outro lado, acredito que a bipolaridade de Jorginho já consumiu a paciência de qualquer torcedor atleticano.

O time só oferece uns breves lapsos de agressividade. Ou no começo do jogo, quando todo mundo tem gás para correr; ou no fim da partida, quando o placar desfavorável libera a equipe para tentar fazer qualquer coisa. Se não for regular durante os noventa minutos, não teremos condições de fazer muita coisa nessa temporada. Um gol em três jogos não é obra do acaso. Continuando assim, não poderemos nem conseguir projetar quantos pontos seriam possíveis a cada três jogos realizados.