Atlético Goianiense 1 x 2 Flamengo: a eliminação que você respeita

Gazeta Press
Gazeta Press

Jogando sem pressão, o Atlético Goianiense dominou boa parte do jogo contra o Flamengo


Desde antes do desfecho da Copa do Brasil, tinha muito claro que a partida de sábado seria um elemento determinante para moldar o espírito do torcedor nessa quarta-feira. Terminada aquela partida pelo Brasileirão, eram poucos os atleticanos que esperavam uma classificação pelas quartas-de-finais. Mas a tal ‘caixinha de surpresas’ está sempre à nossa espreita, ansiosa para sair da sombra. Principalmente naquela hora em que a gente crava alguma previsão antes da bola começar a rolar.

Nos primeiros minutos de bola rolando, parecia que o drama de sábado iria se repetir na quarta-feira. Para piorar, o gol do Guerrero, já aos 12 minutos do primeiro tempo – em uma jogada com uma sequência de erros primários – sinalizavam que a noite seria longa e amarga. Contudo, depois do gol sofrido, a equipe atleticana foi tomada por um surto de completo desprendimento, ignorando o peso da camisa do Flamengo e a sacolada de gols sofridos nos últimos dois jogos.

Mais do que correria e vigor físico, o time do Atlético passou a jogar de forma muito mais consistente que o Flamengo. Nesse arroubo, conseguimos um gol tão oportunista quanto o dos cariocas, coroado por um desabafo de um Jorginho que parecia mordido com a terrível atuação do fim-de-semana. A transformação radical não só se manifestou nos números finais da partida, mas também serviu para escancarar as fragilidades individuais do Flamengo. Vaz, Márcio Araújo, Pará e Muralha devem agradecer por cada jogo que atuam como titulares.

Quando chega o segundo tempo, ficávamos na dúvida se aquele predomínio seria mantido. Mais uma vez, de forma surpreendente, a superioridade atleticana foi mantida, a ponto de causar um certo constrangimento ao técnico Zé Ricardo. A cada vez que os flamenguistas gritavam por Vinícius Júnior, não ficava só evidente o frisson com a futura grande promessa do futebol mundial, mas também um certo descrédito em relação ao modo que Zé vem administrando seu elenco em situações adversas.

Por mais que estivéssemos mandando no jogo, isso não quer dizer que as nossas antigas limitações desapareceriam da noite para o dia. Júnior Viçosa se portou de forma muito aguerrida, mas suas tentativas de buscar a bola e construir jogadas claramente esbarram em suas limitações técnicas. Ele acaba parecendo uma imagem invertida do Walter, que não acelera as jogadas, mas tem um toque de bola primoroso. Se a diretoria não buscar outro bom atacante, Viçosa deve ser mantido e até assumir lugar no ataque.

Nossa dificuldade de converter oportunidades preservava a possibilidade latente do Flamengo de matar o jogo. Daí, numa jogada involuntária do Matheus Sávio, levamos outro gol, agora com a contribuição bisonha de Marcão. Nesse sentido, fica clara a impressão que os próprios times de maiores recursos parecem ter do Atlético Goianiense, que se resume ao seguinte pensamento: ‘É... a gente pode até jogar mal. Mas em algum momento, invariavelmente, essa defesa vai errar feio e assim teremos a oportunidade de marcar o gol.’.

Colocado tudo isso, temos muito o que levar desse jogo para o resto da temporada de 2017. Não me interessa mais predizer onde o Atlético Goianiense vai terminar esse ano. Tenho muito mais interesse em saber como esse grupo será encarado quando o Brasileirão se encerrar. Se esse for o espírito da equipe para os próximos meses, tenho a certeza de que valerá a pena ir a cada uma das próximas partidas. Se assim for, não interessa quantas derrotas ou vitórias acontecerão. Veremos em campo, ainda que tardiamente, um time de verdade.